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Situado 9 anos depois da ascensão do Império Galáctico (A Vingança dos Sith, 2005) e 10 anos antes da Batalha de Yavin, na qual a Estrela da Morte é destruída (Uma Nova Esperança, 1977), Han Solo: Um história Star Wars (2018) encara a tarefa de traçar as origens do famoso contrabandista e piloto da Millennium Falcon que foi eternizado pelo ator Harrison Ford na trilogia original.

Han, um órfão que cresceu pelas ruas de Corellia, vê-se obrigado a trabalhar para as gangues locais em companhia de seu amor de infância, Qi’ra. De posse do valioso coaxium, combustível espacial que quando refinado torna possível o salto no hiperespaço, o rapaz pretende subornar, enganar a tudo e a todos para fugir do planeta (sob domínio do Império e das máfias) para começar uma vida nova com Qi’ra. No entanto o destino os separa levando a caminhos diferentes: ele ingressa no Império, ela é presa pela máfia de Corellia.

Han Solo almeja voltar e resgatar sua amada, mas a sua jornada exigirá muita coragem e astúcia até reencontrar Qi’ra. Formará amizades eternas, como a de Chewbacca, e a rivalidade com Lando Calrissian, além de encontrar e pilotar pela primeira vez a Millennium Falcon. Han descobrirá que não pode ficar alheio à injustiça na Galáxia e a medida que foge das responsabilidades, mais perto estará de se opor ao Império Galáctico.

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Título original: Solo: A Star Wars Story
Direção: Ron Howard
Roteiro: Jonathan Kasdan e Lawrence Kasdan
Duração: 2h 15min
Lançamento: 24 de maio de 2018

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Elenco: Alden Ehrenreich (Han Solo), Woody Harrelson (Tobias Beckett), Emilia Clarke (Qi’Ra), Donald Glover (Lando Calrissian), Thandie Newton (Val), Phoebe Waller-Ponte (L3-37), Joonas Suotamo (Chewbacca) e Paul Bettany (Dryden Vos).

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SOLO UMA ORIGEM
Qualquer fã fervoroso da franquia ficou apreensivo com um filme sobre Han Solo, o personagem mais célebre de Star Wars que não é nem jedi nem sith. Aliás é o primeiro filme em que os jedis não são sequer mencionados.

A fenomenal atuação de Harrison Ford na trilogia inicial é um daqueles bastiões da sétima arte quase impossíveis de ultrapassar ou manchar. O próprio Ford sabia disso e, mesmo adorando o novo filme, escolheu não participar da premiere com o resto do elenco a fim de deixar o jovem Han Solo, Alden Ehrenreich, brilhar. Então, ao se aventurar por este longa-metragem, encare como duas atuações diferentes, mas que o jovem Solo introduz a genialidade daquele que será essencial para a vitória Rebelde ao lado de Luke e Leia.

Como um filme de origem, o longa propõe elucidar uma série de fatos em torno da dupla Han Solo e Chewbacca que são aludidos a todo momento nos episódios IV a VI da franquia. Se o contrabandista tem muito de seu passado demonstrado nesse filme, mostrando uma infância e adolescência entre meninos de rua de Corellia, fato que o tornou um trapaceiro nato; o wookie (nome da raça do Chewie) já havia aparecido na saga. Durante A Vingança dos sith (2005) estava na frente de batalha contra a invasão clônica de Kashyyyk. Depois que Chewbacca ajuda o Grande Mestre Yoda a fugir, depois da ordem 66, pouca se sabe do grandalhão peludo.

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Após fugir de Corellia, deixando sua amada nas garras de Lady Proxima, mafiosa local, Han Solo (que ganha esse nome de um oficial do Império pelo fato de ser “sozinho” e sem família) entra para academia militar para ser “o melhor piloto que já existiu”. Todavia é expulso por insubordinação e torna-se soldado da infantaria do Império em Mimbam. É no fronte, entre os Stormtroopers que Han conhecerá o bando de Tobias Beckett e na prisão militar, condenado a morrer pela “fera”, que lutará contra Chewbacca. Estão lançados aí os ingredientes básicos para a dupla Han e Chewie: ambos viram contrabandistas de Beckett para se salvar dos Imperiais, e Solo trava amizade com o wookie por ser o único a entender o idioma do grandalhão, pois aprendera enquanto vivia nas ruas de Corellia.

A última peça do quebra-cabeça é justamente a mitologia envolvendo a Millennium Falcon, prêmio de um jogo de cartas. Ao fracassarem em um roubo de coaxium, combustível espacial valiosíssimo, Beckett se vê me apuros pois deve a Dryden Vos, chefão da organização denominada Aurora Escarlate. Ao travar contato com o vilão, reencontra Qi’Ra, agora braço direito do mafioso. Para roubar o produto bruto, precisa ir as minas de Kessel e levar rapidamente a um refinaria no planeta Savareen. Para isso Qi’Ra sugere usar Lando Calrissian, contrabandista veterano e dono da Millennium Falcon, nave que ele já tinha conseguido por meio de trapaça durante uma partida de Sabacc, um jogo de cartas. Entre Han e Lando, rivalidade à primeira vista; com a Falcon, amor.

Por fim, não menos importante, conhecemos a famosa narrativa de Han Solo e Chewie para fuga de Kessel em 12 parsecs (uma rota de distância fixa dentro de uma nebulosa que leva normalmente 20 parsecs), algo que só foi possível por uma turbinada de coaxium com direto a fugir de uma fera espacial (Mandíbula) e um buraco negro. Uma das cenas mais eletrizantes do longa-metragem.

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REFERÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS
A produção de Han Solo: Uma história Star Wars, ao longo da trama, presta homenagem a algumas cenas clássicas do cinema aqui revisitadas pela ficção científica. Claro que uma das mais icônicas é justamente o olhar de despedida de Han e Qi’ra que muito se deve ao filme Casablanca (1942). Isso me chamou a atenção de imediato, mas outras referências estão ali. Leia algumas!

  1. 121_06Perseguição de “carros”Não é uma grade novidade em filmes estadunidenses, mas aqui é feita por speeders (planadores), algo visto também no Episódio II – O ataque dos clones (2002). Contudo a rápida perseguição a Han por Moloch, capanga de Lay Proxima, teve como inspirações as enormes docas industriais de Long Beach (Califórnia) e a icônica corrida de carros em Grease (1978), grande clássico de John Travolta.
  2. 121_07Guerra de trincheiraAs cenas em que Han experimenta o combate Imperial em Mimvan foram inspiradas pela guerra de trincheiras na Primeira Guerra Mundial e muito comum em filmes que retratam esse período como, por exemplo, a releitura do longa-metragem da Mulher Maravilha (2017) ou o clássico Pelo Rei e Pela Pátria (1964).
  3. 121_08Serviço Secreto em Ação (1967) – Ao desmontar um rifle, transformar na blaster clássica e jogar para Han Solo, Tobias Beckett faz referência ao filme de Frank Sinatra. Nele, o ator clássico desmonta um rifle baseado em uma Mauser C96 (designer que influenciou a confecção do blaster de Han). Aliás, ainda em relação ao armamento,  a pistola de Qi’ra é inspirada ligeiramente em uma obscura pistola da Segunda Guerra Mundial, a Mannlicher M1905.
  4. 121_09Butch Cassidy (1969)O filme de George Roy Hill serviu de inspiração para o assalto ao trem de Vandor. No clássico filme, Butch Cassidy e The Sundance Kid são os líderes de um bando de criminosos que depois de um assalto a um trem que dá errado, eles se veem em fuga com uma legião de perseguidores em seu encalço.
  5. 121_11Faroeste nas estrelasVandor representa a viagem em direção à nova fronteira, tipicamente vista no gênero faroeste. As Montanhas Rochosas, Chile, Patagônia e Dolomitas na Itália serviram de inspiração para a paisagem gelada do planeta. Mas não para por aí. A sequência do roubo do trem foi concebida, inicialmente, como um clássico filmes western, com o bando de Beckett (que tem um visual de cowboy) entrando no trem por meio de uma manada de kod’yak’s. No entanto a cena foi suprimida por causa do tempo de execução. Claro, e não podemos deixar der ver a cena da partida de baralho com trapaça em um saloon. Ao contrário de Maverick (1994) com Mel Gibson,  em Han Solo o pôquer é substituído por uma partida de Sabacc, mas contexto é semelhante.
  6. 121_12Cinemataca São muitos os ganchos para outros sucessos de Hollywood que são referidos nesse longa-metragem. Filmes como Profissão: Ladrão (1981), Fogo Contra Fogo (1995), O Homem que Burlou a Máfia (1973), O Salário do Medo (1953), O Comboio do Medo (1977), Fuga do Passado (1947), Os Implacáveis (1972), Meu Ódio Será Sua Herança (1969), O Paraíso Infernal (1939), Sete Homens e um Destino (1960), O Poderoso Chefão II (1974) e O Tesouro da Sierra Madre (1948) tiveram influência da história e do estilo no roteiro final de Lawrence e Jonathan Kasdan.

CURIOSIDADES

  • 121_13Antes da Nova EsperançaA cena de abertura em Corellia e a de Rogue One: Uma História Star Wars (2016), na qual Krennic leva Galen Erso, engenheiro chefe da Estrela da Morte, acontecem 13 anos antes dos eventos de Star Wars, Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977).
  • 121_14A idade de ChewbaccaEste é o primeiro filme Star Wars em que Chewbacca revela sua idade: 190 anos. Isso significa que ele tem 200 anos em Episódio IV: Uma Nova Esperança (1977).
  • 121_15Caçadores de recompensaHá muitas referências aos Caçadores de Recompensa clássicos. Em uma conversa com sua esposa Val, Tobias Beckett discute sobre a possibilidade da ajuda de profissionais como a irmãs Zan (a mais conhecida tentou matar Padmé Amigdala no Episódio II – O Ataque dos Clones, 2002) ou Bossk, mercenário tradoshiano (recorrente na série animada Clone Wars, 2008) bem como um dos bandidos que treze anos depois seria contratado para rastrear a Millennium Falcon e seu piloto em O Império Contra-Ataca (1980). Lando menciona, ainda, que Tobias Beckett matou Aurra Sing, empurrando-a para a morte. Cabe lembrar que Aurra Sing foi uma caçadora de recompensas que apareceu pela primeira vez assistindo à corrida de pods no Episódio I: A Ameaça Fantasma (1999) e que se tornou a mestra de Jango Fett como apareceu na série animada Star Wars: The Clone Wars (2008).
  • 121_16Indiana JonesNa nave de Dryden Vos, há mostruários de exibição e, entre todos os tesouros, alguns que podem ser reconhecidos por outra franquia de filmes: “Indiana Jones”. Há as Pedras Sankara de Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984), o ídolo da fertilidade de  Os Caçadores da Arca Perdida (1981) e também o próprio Santo Graal. Existem, também, relíquias da franquia Star Wars como uma armadura mandaloriana, holocron sith, entre outras.
  • 121_17Jabba, o HuttPor duas vezes, é mencionado o fato de Han se juntar a um grande chefe do crime em Tatooine para “um trabalho”. Provavelmente esta é uma referência a Jabba, o Hutt, que perseguirá o herói em O Império Contra-Ataca (1980) e será morto em O Retorno do Jedi (1983).
  • 121_18No capacete de Enfys Nest, líder dos Cloud Riders, está escrito um poema em Aubesh (idioma introduzido em O Retorno do Jedi, ). Sua tradução: “Até chegarmos à última borda, a última abertura, a última estrela, e não pode subir mais”.
  • 121_19BenthicOs Rebeldes que aparecem no final do filme incluem um guerreiro alienígena com uma máscara preta no rosto e dois tubos saindo de seu rosto. Este é Benthic, o segundo em comando de Saw Gerrera em Rogue One: Uma História Star Wars (2016). O personagem também apareceu em alguns quadrinhos após os eventos de Rogue One como tendo ocupado o lugar de líder Rebelde em Jedha e termina conhecendo os principais heróis trilogia clássica.

CONCLUSÃO: “Tudo que você ouviu sobre mim é verdade”
Apesar dos problemas de produção e troca de diretores, apesar da tensão e audácia de revirar e revelar a vida de um dos personagens mais amados do mundo Star Wars, Han Solo: Uma história Star Wars acaba sendo uma agradável surpresa.

O fato do filme não estar alicerçado, diretamente, na tensão mítica entre os Lado da Luz e o Lado Negro da Força, faz com que a história transcreva de forma leve, cheia de ação e com boa tiradas de humor. Não podemos comparar o humor irônico de Harrison Ford com o do jovem fã Alden Ehrenreich. O jovem Han Solo consegue preservar a nossa memória do herói da trilogia clássica, sem deixar de ter uma boa pitada de inovação.

Considero, desde que a Disney assumiu a franquia, um dos melhores filmes da nova fase perdendo apenas para Rogue One: Uma história Star Wars (2016). Claro que não podemos abstrair fato de que o filme em si é uma grande colcha de retalhos cinematográficos com muitas referências a história do cinema. No entanto isso não tira o mérito de modificar o nosso olhar e contextualizar as gerações atuais para um dos heróis mais queridos de Star Wars.

Para quem gosta da franquia, esse spin-off (produção derivada) não deixa a desejar no sentido que se conecta em muitos sentidos a toda mitologia “Guerra nas Estrelas” desde mostrar origens em torno de Han Solo e Chewie, como conectar a trilogia prequela (Episódios I, II e III) à trilogia clássica (IV, V e VI). Agora se você não é um fã, assistirá a esse longa como um bom filme de ação futurística e quem sabe até seja conquistado. Tudo vai depender SOLAmente de você, se vai querer conhecer ou não o maior piloto da galáxia e que fez o percurso de Kessel em apenas 12 parsecs.

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