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SINOPSE E FICHA TÉCNICA

Há apreensão no Senado Galáctico. Milhares de sistemas solares manifestam sua intenção de deixar a República.
Esse movimento separatista, sob a liderança do misterioso Conde Dookan, tornou difícil para o pequeno número de Cavaleiros Jedi manter a paz e a ordem na galáxia.
A senadora Amidala, ex-rainha de Naboo, está voltando ao Senado Galáctico para votar a delicada questão de criar um Exército da República para ajudar os combalidos Jedi.

Dez anos se passaram desde o bloqueio comercial e os conflitos em Naboo (Star Wars: Episódio I – A ameaça Fantasma, 1999). A República Galáctica e seus defensores da paz, os jedis, deparam-se com uma nova ameaça: o Movimento Separatista. A probabilidade de guerra é real, mas os Cavaleiros Jedi, pacifistas por excelência, são incapazes de sozinhos deterem a marcha dos acontecimentos.

Anakin Skywalker, agora com 19 anos, oscila entre a rebeldia, arrogância e amor pela agora senadora Amidala, sua fixação desde a infância. Está em desequilíbrio entre os ensinamentos de seu mestre, Obin Wan Kenobi, e a forte influência do Chanceler Supremo Palpatine.

Um atentado envolvendo a senadora Amidala, contrária à formação de um exército da República, fará com que Anakin confronte seus sentimentos e seu passado dando demonstrações que a fúria é forte no jovem padawan. Por outro lado, fará com que Obi Wan descubra tanto um exército secreto de clones como também um de droides, este último idealizado por Conde Dookan, o novo aprendiz sith.

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Título original: Star Wars: Episode II – Attack of the Clones
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas, Jonathan Hales
Duração: 2h 22min
Lançamento: 12 de maio de 2002

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Elenco: Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi), Natalie Portman (Padmé), Hayden Christensen (Anakin Skywalker), Christopher Lee (Conde Dookan / Darth Tyranus), Samuel L. Jackson (Mace Windu), Frank Oz (Yoda) e Ian McDiarmid (Chanceler Supremo Palpatine).

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ANAKIN E A SEDUÇÃO DO LADO NEGRO
Quando percebemos a transformação do garotinho escravo Anakin, repleto de perspicácia e bondade, no agressivo padawan (aprendiz jedi), parece algo muito forçado (perdoem-me o trocadilho). Mas não podemos esquecer que ele sempre foi muito emotivo, muito ligado à mãe. Isso é potencializado nesta sequência da história do futuro Darth Vader. Anakin é arrogante, convencido e não respeita integralmente o comando de seu mestre, Obi Wan Kenobi.

Anakin tem constantes pesadelos com a mãe. Projeta sua afeição em Padmé, a antiga rainha que durante os últimos 10 anos viveu em seu imaginário. Dormindo, tem pesadelos com a mãe, acordado sonha com Padmé. Mesmo no reencontro, quando é designado junto com seu mestre para protegê-la, ao receber um fora daqueles (“Ani, você sempre será o menininho que conheci em Tatooine.”), não desiste em sua sedução tosca e acaba conquistando o coração velha (porém super conservada) senadora de Naboo.

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Enquanto seu coração sente a tentação amorosa e o medo da perda da mãe, dois sentimentos que não podem dominar o coração virtuoso e equilibrado de um jedi, o Chanceler Supremo Palpatine, pálido como um cadáver, revela-se como o segundo mestre de Anakin e que o aconselha nas sombras. Enfatiza o quanto o garoto é habilidoso, alimenta a ambição do padawan. Isso faz com que cresça a ideia do sentimento de superioridade acima de qualquer jedi e suas queixas em relação a Kenobi, acusado de não deixá-lo brilhar e ser invejoso.

O amor (uma fixação juvenil de um rapaz virgem), o medo (da perda da mãe), a influência de Palpatine (o capeta a sussurrar maldades no seu ombro) e a vaidade de seu domínio da Força que farão com que o antigo escravo de Tatooine dê passos decisivos em direção ao Lado Negro da Força. Duas circunstâncias nos mostram que definitivamente Anakin Skywalker está perdido. A mais aparente é o fato de voltar a Tatooine, como havia falado a sua mãe que faria. Ele não liberta todos os escravos, porém executa toda uma aldeia de povos da areia que haviam sequestrado sua mãe. Não poupa ninguém: nem mulheres nem crianças. Não é o escolhido (messias) salvador, é, somente, a mão furiosa da morte.

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A segunda pista da perdição de Anakin Skywalker está em um diálogo em uma das cenas românticas mais mal feitas da trama: a cena do casal no campo florido. Em um dado momento Padmé interroga o jovem jedi que diz que não acreditava que o sistema político funcionasse. “E como isso funcionaria para você?”, pergunta a senadora. Anakin então explica:

“Precisamos de um sistema onde políticos se reúnam, discutam os problemas, concordem sobre o que é melhor para o povo e então façam.”
“Mas é exatamente isso o que fazemos, mas nem sempre as pessoas concordam”, diz a senadora de Naboo.
“Deveriam ser obrigadas, então”.
“Por quem? Quem poderia obrigá-las?”, pergunta Padmé.
“Não sei, alguém…”
“Você?” , interrompe a senadora.
Sem muita convicção, vacilando, Anakin então afirma:
“Claro que eu não… Alguém sábio.”
“Para mim, isso está parecendo mais uma ditadura”, constata Padmé.
Anakin confirma a possibilidade, eles sorriem e a cena segue entre sorrisos e brincadeiras.

Desta forma está sedimentado na alma do futuro Darth Vader as sementes do autoritarismo: a mão forte do Imperador sobre o futuro da galáxia. Mesmo que ele tenha esquecido das palavras da atual rainha de Naboo quando chegaram ao planeta:

Devemos manter nossa fé na República. O dia em que deixarmos de acreditar na democracia, será o dia em que ela cairá.

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PALPATINE: O SENHOR DA GUERRA
Quando analisamos a escalada do pode do Senador Palpatine ao cargo de Chanceler Supremo da República, eventos narrados no Episódio I – Ameaça Fantasma (1999), descobrimos que ele age nas entrelinhas, controlando as fraquezas do sistema. Ainda havia hostilidade da Federação de Comércio que amargou uma dura derrota na invasão de Naboo, mas a ela se somaram outros sistemas que desejavam se separar da República. Os Separatistas estão em maior número e se torna cada vez mais difícil para os jedis manterem a paz. Claro que o desejo se desligar da República tem o dedo de Palpatine: ele enfraquece as instituições ao mesmo tempo que na surdina espalha a fragilidade do sistema e o medo generalizado. É assim que ele começa a arquitetar a guerra que se desenrola neste longa-metragem. Vamos entender passo a passo a estratégia de Darth Sidious:

  1. 058_06O atentado à senadora – Logo no início do longa-metragem, a senadora de Naboo sofre um atentado. A sósia de Padmé é morta na ocasião. A antiga rainha é a principal líder do movimento contra a militarização da República diante da ameaça Separatista. É necessário que ela saia do cenário para Palpatine não tenha ninguém contra a ideia da formação de um exército. Convenientemente sugere que a senadora retorne a Naboo sendo protegida por seus antigos salvadores: Anakin e Obi Wan Kenobi. Darth Sidious consegue alcançar três objetivos: deixar Padmé e Anakin bem próximos (decerto sabia da fixação de seu pupilo pela representante de Naboo); afastar a principal oposição à militarização; e, por fim, deixar Jar Jar Binks (sim, aquela desgraça do filme anterior) como representante de Naboo no Senado.
  2. 058_07O exército de clones – Obi Wan descobre um produção em massa de clones, uma força militar feita por encomenda para República em um planeta chamado Kamino. Segundo o primeiro-ministro, o exército teria sido encomendado há quase 10 anos. O que nos remete à época da invasão de Naboo, evento do Episódio I. Sabemos que Palpatine usou esta ocasião para se tornar Chanceler Supremo e, talvez, em uma de suas primeiras medidas, encomendar um exército de clones para República, pois os clonadores seguiram tanto o pedido do Senado como o de um antigo mestre jedi morto há muitos anos. Assim, enquanto a oposição e separatistas fortaleciam o exército de droides, nas sombras, Palpatine aparelhava a República para o futuro conflito.
  3. 058_08A corrupção política – A influência de Darth Sidious vai crescendo ao longo do tempo à frente do Senado. Por outro lado, os jedis, nas próprias palavras do Mestre Windu, sentiam a habilidade do Conselho de usar a Força diminuir. Nesse sentido, por mais que Yoda aconselhe Kenobi a limpar a mente para vislumbrar o verdadeiro vilão, o mestre de Anakin parece ser o único a estar atento. E após seu padawan defender o Chanceler Supremo, Obin Wan emenda: “Palpatine é um político. Tenho observado que ele é muito inteligente, aproveitando-se da convicção e dos erros de julgamentos do senadores”. Desta forma, sensível, de forma instintiva, o Mestre Kenobi estava alerta e desconfiava do lorde sombrio e de suas maquinações. Mas mesmo sob suspeitas, Palpatine manipulava as estruturas fragilizadas do poder debaixo das barbas do Conselho Jedi.
  4. 058_09Darth Tyranus – Com a morte de Darth Maul (Star Wars: Episódio I – A ameaça Fantasma, 1999), Palpatine precisava de um novo aprendiz sith. Quem ocupa esse lugar é um veterano idealista e desacreditado da República: Conde Dookan. Ele foi treinado pelo Mestre Yoda e por sua vez foi mestre de Qui-Gon Jin. Literalmente é um jedi seduzido pelo lado sombrio. Além de estar à frente dos Separatistas, articula-se com a Federação de Comércio. Poderia ter sido ele a apagar o sistema Kamino dos arquivos Jedi? Quando o lado Negro começou a seduzi-lo? Dookan nos mostra que com o tempo certo, qualquer jedi pode ser tentado. O conde também cumpre o papel de quase matar Anakin e suscitar outro sentimento passional no padawan, além do medo, do amor e da fúria: a vingança. A queda de Dookan marcará a transição inicial de Anakin para submissão total a Palpatine.
  5. 058_10A batalha de Geonosis – Com todas as peças do tabuleiros arrumadas, só restava colocar a guerra em curso. Diante da prisão de Obi Wan, Anakin e Padmé no planeta Geonosis, era preciso uma resposta imediata à ameaça. Por um lado os jedis se vêem incapazes de deter o exército gigantesco de droides criados nas entranhas do planeta. Por outro a oposição à militarização da República é vencida por ter sua líder presa nas mãos dos Separatistas. Sendo o sistema corrupto, só faltava que algum senador ou representante de um senador propusessem em plenária a formação do exército. Nesse ponto que Jar Jar Binks (personagem desgraçado!) é manobrado e faz a proposição. Assim, pelas mãos de um idiota e ingênuo, Palpatine recebeu poderes emergenciais e passou a liderar um exército de mais de um milhão de clones feitos do código genético um mercenário e caçador de recompensas Jango Fett, pai de Bobba Fett.

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OBI WAN: PROFETA OU MESTRE JEDI DOS SPOILERS?
Tudo bem, sabemos que domínio forte é da Força em Yoda. Também sabemos que o Mestre Windu humilha com o sabre de luz roxo, mas talvez o mais atento ao lado negro, neste episódio da trilogia prequel (pré-sequência), seja Obi Wan Kenobi. A todo momento ele faz avaliações e observações sobre o momento em que ele e os demais jedis vivem. Talvez o mais sensitivo quanto aos eventos funestos que se abaterão sobre a galáxia. Primeiro, podemos destacar sua desconfiança sobre os políticos em geral e o próprio Chanceler Supremo Palpatine. Antes da perseguição a Zan Wesell, caçadora de recompensas, ele afirma em conversa com Anakin:

Pela minha experiência, os senadores se preocupam apenas em agradar aqueles que dão fundos para suas campanhas. E eles não demonstram escrúpulos quando esquecem do poder e da ordem para conseguir tais fundos.

Após a perseguição à caçadora de recompensas, quando ele devolve o sabre de luz a Anakin antes de entrar no bar e encurralar a assassina, ele prediz o que acontecerá no episódio IV da saga: “Por que tenho a impressão de que você ainda vai me matar?”.

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Obi Wan Kenobi não sente firmeza e tem constantes ressalvas para sugerir que Anakin se torne mestre jedi. Ele tem habilidades magistrais, mas seu coração parece frágil. Kenobi aceitou a incumbência de treinar o menino de Tatooine de seu mestre Qui-Gon, porém aparenta não ter confiança na temperança de Anakin. E novamente estava certo. Anakin executaria toda uma aldeia ao voltar à terra natal, fato sentido de forma indireta por Yoda. E após o incidente, o jovem jedi expressa sua fúria:

“Eu deveria ser (onipotente). E algum dia eu vou ser. Eu vou ser o jedi mais poderoso que existiu. Eu prometo a você. Eu vou até aprender a impedir que as pessoas morram. […] Isso é tudo culpa do Obi-Wan. Ele é invejoso. Ele está me reprimindo. “

CURIOSIDADES

  1. 058_13O nome do Conde – Na tradução para nossa língua, o nome do Conde Dookan precisou sofrer uma ligeira alteração porque senão não iam faltar brasileiros zombando do nome do personagem Count Dooku (Sim, aquele lugar onde o sol não bate).
  2. 058_14O sabre de luz de Mace Windu – Foi ideia do ator Samuel L. Jackson. Motivo: simplesmente se destacar no meio do sabres azuis e verdes no meio das batalhas. Mas no material estendido, o sabre de luz roxo se refere aos usuários da Força que já foram do lado negro.
  3. 058_15As sementes do Império – A trilogia original é marcada pela hegemonia do Império Galáctico. Neste segundo filme da trilogia prequel temos algumas referências e percebemos que já fazia parte do plano geral a construção do poder imperial. Podemos ver o símbolo do Império na mesa de reuniões dos os futuros Líderes Separatistas (Wat Tambor, Nute Gunray, etc.). Momentos depois o arqueduque de Geonosis entrega os projetos de sua arma final, a Estrela da Morte, para que o Conde Dookan entregue ao Lorde Sith. Outro ponto é o armamento utilizado pelos clones, muito semelhantes aqueles que seriam usados pelos Stormtroopers, como os andadores.
  4. 058_16O clã Fett – Também podemos ver a origem de Boba Fett, o caçador de recompensas que colocará as mãos em Han Solo. Clone idêntico (fisicamente e mentalmente) de Jango Fett, feito em Kamino, cresceu naturalmente sob a tutela e treino direto do pai. Nós o vemos dar tiros de blaster na nave Escravo I e após a morte, segurar o capacete do pai, em uma espécie de legado passado.

CONCLUSÃO: Que Yoda é esse? OMG!
Bem, é totalmente dispensável as cenas de flerte e jogos amorosos entre Anakin e Padmé Amidala. Cheios de tiradas ultrapassadas e cenas românticas mais do que clichês. Não que a franquia não possa ter seus romances, afinal a tensão amorosa entre Han Solo e a Princesa Leia é uma das coisas mais legais na trilogia original. Mas percebemos que George Lucas (ou seu roteiro) podem ter tirado sua ideias de novelas brasileiras ou mexicanas para explicar tanta cafonice. Por mais que os casais de atores tenham desenvolvido um romance durante as filmagens, que Natalie Portman tenha largado o marido para ficar com Christensen, a química não rola e por vezes você vai querer adiantar o filme para não assistir às cenas piegas.

A única atuação digna de atenção é justamente de um personagem em CGI (computação gráfica): Yoda. Além de ser um sonho de muitos fãs da franquia de ver o diminuto e mais forte jedi lutar e ele o faz de forma fantástica. O mestre Yoda se mostra um líder nato, com capacidade analítica e boas expressões faciais. Ao meu ver é o ponto mais empolgante da trama.

Também, este longa, é uma ótima oportunidade pra ver a capacidade tecnológica tanto do enredo da história, quanto dos efeitos especiais da produção que teve um salto qualitativo em três anos, diferença entre o Episódio I e o II. Vale a pena pelas cenas da batalha da arena de Geonosis quanto da própria guerra em si.

Se você espera ver um filme com muita ação e com apogeu dos jedis e sua capacidade de batalha, esse filme empolga, mesmo com o romance piegas e as atuações nem sempre interessantes. Esse longa marca o início da fase mais belamente construída desde a trilogia inicial. Trata-se das Guerras Clônicas que foram amplamente adaptadas para a animação, Star Wars: A Guerra dos Clones (2008) e a série animada, Star Wars: The Clone Wars (2008-2020), que preenchem as lacunas deixadas pelos filmes prequel.

No mais, persista na Força, jovem padawan, o Lado Negro cresce na galáxia. Se queres paz, te prepara para a guerra! E bom filme!

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