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O quanto você acha que uma pessoa é capaz de aprender para se transformar num bom ser humano? Na natureza observamos que os animais nascem com alguns instintos que a evolução, ou como prefiro chamar, seleção natural, foi imputando à sua espécie para que ela se tornasse mais apta a sobreviver em seu ambiente. Qualquer mamífero já nasce sabendo que precisa brigar com seus irmãos por uma bomba de combustível na sua mãe. Um filhote de pássaro sabe que precisa fazer bastante escândalo se espera receber uma porção de comida no ninho. Falando em ninho, um pássaro já traz em sua função matriz o conhecimento de construir seu lar na arquitetura de seu clã familiar. Um cervo já nasce sabendo a hora de meter o pé quando seu predador pinta na espreita. Acasalar? Será que essa galera sabe? Perpetuar a espécie, se alimentar, e se manter vivo, são os principais instintos que a vida traz no seu DNA. Certas coisas não precisam ser ensinadas, já sabemos pelo simples fato de existirmos.

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Claro, existem certas exceções, nenhuma espécie está livre de amostragem que nasce com alguma deficiência na escrita de tais instruções. Lembra eu dizer preferir o termo seleção natural? Bem, a natureza vai sempre trabalhar com combinações de probabilidade e mesclar informações do papai e mamãe para constituir sua próxima geração. Um filhote nunca é idêntico ao outro, cada qual tem suas características. E vão sobreviver para perpetuar seus genes aqueles que constituírem dos melhores atributos. A natureza funciona assim, ela não é boa e nem má, ela simplesmente é o que é. Pura e pragmática. Simples probabilidade matemática criando as diferentes divisões da árvore genealógica da vida.

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Mas vamos focar no ser humano, um espécime que temos propriedade de causa em lidar. Bem, pelo menos alguns exemplares de seres humanos. Espero estar certo de ser a maioria. Enfim. Os humanos, graças a sua otimização em comunicação, fizeram toda a sua espécie tomar um rumo diferente. Críamos regras e conceitos artificiais que conflitam numa constante com nossos instintos. Diferentes dos animais não-humanos, seguimos convenções sociais que nos impedem de agirmos de forma a prejudicar a totalidade do grupo. Não nascemos com essa informações, mas ganhamos tão breve quanto possível um checklist que devemos nos certificar e preencher. Diferente disso teremos sérias dificuldades na vida.

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Como espécie fomos longe, não apenas dominamos e domesticamos outras espécies de complexidade intelectual menor, mas também começamos a desenvolver complexas máquinas. Só que não paramos por aí, decidimos investir também na sua autonomia em lidar com situações complexas que geralmente seria a tarefa de um ser humano. É a chamada inteligência artificial, que em sua observação prática de arquitetura de funcionamento, não se distingue muito da forma com que a natureza encontrou de evoluir. A única diferença fica por conta da morte. Máquinas não morrem. Pelo menos é assim que acreditamos. Elas otimizam e substituem partes, mas não possuem uma validade assim como o seres vivos. Então se nós com nosso limitado cérebro e seus poucos bilhões de neurônios formos ultrapassados por máquinas com processadores muito mais complexos que os nossos, quem é que estará apto a manter as regras das convenções sociais?

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Na ficção existe uma série de diferentes abordagens, seja na literatura ou cinema, o ser humano é subjugado das mais variadas formas possíveis. Geralmente são máquinas com acesso a informações históricas da humanidade que concluem o óbvio, o ser humano é a verdadeira praga sobre a Terra. Então assim como nós temos o hábito de exterminarmos parasitas indesejados para o ecossistema a qual pertencemos, as tais máquinas inteligentes fariam o mesmo pelos seus ideais de mundo sustentável. Principalmente sabendo que os seres humanos ao identificar estarem sendo ameaçados, poderão se voltar contra elas.

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Seria apenas teorias da ficção, ou algo sério com qual devemos realmente nos preocuparmos? Contamos com nosso instinto básico, a sobrevivência. Se não fosse por essa primitiva instrução comum a maioria dos seres vivos, seria algo válido a própria extinção em benefício de o restante do todo. Mas sabemos sobre a utopia da coisa, uma vez que o ser humano nem de longe é tão altruísta assim. Então para mantermos nossa segurança, começamos a definir diretrizes.

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No dia 8 de Abril de 2019, a Comissão Europeia publicou um pacote de diretrizes para o desenvolvimento e a implementação de padrões éticos de inteligência artificial. Não se trata de uma formalização de normas, mas apenas um modelo para possíveis regras futuras. O Ethics guidelines for thustworthy AI (download do PDF em português) define como bom tom, que uma AI ética e de confiança precisa ser transparente, ser supervisionada por humanos, possuir algoritmos confiáveis e seguros, e estar sujeita a regras de privacidade e proteção de dados. O documento foi publicado pelo High Level Expert Group on Artificial Intelligence (AI HLEG).

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Em breve entraremos no dilema qual precisaremos definir em que grau de autonomia gostaríamos que nossas máquinas coexistissem conosco. Certamente implementaríamos diretrizes por serem respeitadas em  todo canto, e quando compreendemos o funcionamento de um algoritmo, sabemos poder ficar seguros com elas. O problema não é exatamente esse, mas bastaria uma única falha humana para todo castelo de cartas ruir. O que quero dizer com isso? Imagino que parte significante dessas máquinas estarão conectadas à redes globais, até mesmo por uma questão de updates. Então imaginemos que alguém com credenciais e disposto a colocar fogo no palheiro, simplesmente altere as diretrizes originais e adicione as suas próprias. Sim, podemos definir essas instruções como inerente, algo físico e definitivo na estrutura, mas conhecemos o potencial humano em ludibriar sistemas de segurança. Feito uma mudança assim, nada impede que máquinas alterem máquinas, e que assim a ficção como conhecemos possa se tornar realidade.

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Do que você precisa? Apenas um robô doméstico que faça e te entregue café, ou um ser com os mesmos direitos de acesso ao ambiente que possuímos? O ser humano possui um extinto de sobrevivência, mas ao mesmo tampo não consegue se conter em não ser destrutivo. De uma forma ou de outra, estamos prestes a auto-aniquiliação.

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