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É 2093, e a tripulação da Nightflyer conduzida pelo capitão Eris ruma ao vazio do espaço na busca pelos Volcryns. Uma raça alienígena capaz de ajudar a humanidade a sobreviver após a destruição da Terra. Porém sinistros eventos passam a atormentar toda a equipe da nave, que fará todo o possível para manter a sanidade.

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Nightflyers é a adaptação da novela homônima de 1980 de George R.R. Martin, e traz um roteiro muito confuso e com sérias dificuldades de angariar adeptos. Seus eventos são episódicos e não relacionados com a estrutura central que a série ameaça ter na sua premissa. A trama principal já começa confusa desde o início, te jogando numa caçada que você não sabe se é uma alucinação, sonho, ou a promessa de algo por vir. Na sequência também fica sem entender o que aconteceu com o planeta Terra e tão pouco quem ou o que são os tais Volcryns. O que temos é uma apresentação tentando se mostrar complexa e instigante mas que resulta no exato oposto, frustrando e talvez até afastando alguns espectadores com menos paciência. Quando não é desenvolvido um objetivo por alcançar, qual vínculo de expectativa é possível ser criado? Tentam te jogar uma sensação de urgência a todo instante, mas o que tem de tão urgente? Definitivamente você é um passageiro que só assiste sem estar à par de nada, e uma história não te convence de ser acompanhada quando te excluem dela. Outra coisa também bem inconsistente são os elementos conceituais. Temos telecinesia por exemplo, que simplesmente funciona como se espera funcionar, mas que sem uma explicação mínima se torna sobrenatural demais num script que se coloca como científico. Isso pelo menos pra mim incomoda um pouco. Mas o que mais me irrita são os malditos hologramas que se projetam excessivamente interativos e que vem surgindo como uma praga nas produções de ficção científica da atualidade. Eles infestam toda a extensão da nave, e sem a mínima interferência de projeção óbvia da degradação da luz. Esses caras realmente sabem como funciona um holograma? Eu duvido.

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A produção é competente no que se refere à ambientação, criando uma nave crível e iluminada de forma favorável à explorar o clima de terror num espaço confinado. Mas essa qualidade não é aproveitada justamente por conta do mal desenvolvimento do roteiro, que não prepara o terreno e não te apresenta nada pra temer. Todos os picos de tensão nascem de situações isoladas e não são crescentes de uma situação plantada anteriormente. No segundo episódio temos a cena de uma aranha robótica que é inserida de forma abrupta, faz uma pequena chacina, e logo em seguida é descartada como agente de problematização da mesma forma que surgiu, do nada. E é basicamente isso que temos por praticamente toda essa primeira temporada. Quando chegamos nos momentos de termos respostas, já não nos importamos mais. As perguntas se rastejaram tanto por acontecer, e quando se fazem nós não damos mais a mínima. O mesmo vale para os personagens, que são pessimamente desenvolvidos e apresentados. Não se adquire simpatia por ninguém pelo mesmos motivos dos objetivos centrais, eles também são inseridos à conta gotas, e quando você sabe algo mais, simplesmente não está mais nem aí. Acabamos não tendo empatia algumas por aqueles personagens que nem disfarçam a total falta de importância.

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Julgo como sendo o trivial em qualquer série de interação de grupo, principalmente em ambiente de confinamento, a exploração de um diálogo coerente e o mais realista possível. E ouvir um personagem dizer para outro o discurso genérico “Estamos enfrentando coisas que você não entende e não está preparado para lidar.” é de arrancar os cabelos. Não pela frase em si, mas por quem ouve simplesmente baixar a cabeça e não perguntar “Como assim? Que coisa estamos enfrentando? Você sabe algo à mais que eu? Me conta.” Qualquer pamonha minimamente equilibrado retrucaria uma alegação vazia numa situação onde todos estão prestes a morrer. Buscar saber o máximo de tudo que está acontecendo numa situação caótica é a necessidade mais natural de qualquer pessoa. Mas não, nessa série o importante é guardar para si suas dúvidas à fim de colaborar com o péssimo roteiro.

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Nightflyers traz Jodie Turner-Smith, Sam Strike, Gretchen Mol, Brían F. O’Byrne, David Ajala, Maya Eshet, Angus Sampson e Eoin Macken montando o elenco principal. A produção de Robert Jaffe e Andrew McCarthy foi criada para o canal de TV Syfy, e chega ao Brasil com distribuição da Netflix.

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CONCLUSÃO
Estamos falando aqui da primeira temporada com seus dez episódios, e Nightflyers nesse condição, ao mesmo tempo que não traz nada novo, também não decepciona tanto no que se propõe fazer. É sim uma série cheia de mistérios forçados que cansam pela sua narrativa trancada, mas que se resulta em apenas uma obra chata, e não necessariamente ruim. Chegar ao final não é algo gratificante, acredito que a maioria que o fizer, fará apenas pra cumprir tabela. O sentimento mais direto que se tem ao final é o de frustração. De ter nada do tanto e não chegado em lugar nenhum. Recomendo pra aquelas pessoas que gostam muito desse gênero e que não tem mais nada pra ver, mas se você tem o filme do Pelé disponível, opte pelo último.

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