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Você desperta abrindo os olhos mas sem conseguir mover qualquer outro músculo do corpo. Enquanto paralisado e vulnerável na cama, uma sinistra silhueta negra abre a porta vagarosamente. Você arregala os olhos querendo gritar. Sua voz não sai. Por dentro sente seu corpo de debater, são as ordens que seu cérebro envia, mas nada além da visão obedece. Aquela primeira entidade entra seguida de outras. Muitas outras. Vão se acumulando ao redor da cama fixando em você. Penetrando sua alma. Enxergando seus maiores medos. Se mantém assim, te encarando, sentem prazer em te ver sofrer. Chegando tão perto roubam seu ar. A agonia contamina o corpo inteiro com um sopro gélido, não é um sonho. Você tem consciência de perguntar e se responder. Num estado de pânico aqueles minutos parecem horas, te faz refém de um medo descontrolado. Um peso cai sobre o seu peito, você vai morrer…

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019_02A CULTURA CONTA
Esse fenômeno assustador não é algo incomum e acomete 7,6% da população mundial segundo a revisão sistemática de mais de 30 estudos, onde essas pessoas tiveram pelo menos um episódio de paralisia do sono durante a vida. Dependendo da cultura a condição recebe nomes e interpretações diferentes. No Brasil existem regiões onde uma lenda fala sobre uma criatura magra de pernas curtas, dedos longos, unhas compridas e amareladas de sujeira que fica sobre o telhado das casas esperando as pessoas dormirem para atacar. A criatura folclórica é uma mulher conhecida como Pisadeira, e muitas vezes elas surgem subindo no peito daqueles que caem no sono. No Canadá existe o Old Hag, criatura que espreita as sombras esperando uma oportunidade para atormentar quem descansa, e o mesmo se repete com os ma de espíritos que sufocam os vietnamitas no sudeste asiático. Os espanhóis sofrem com a Pesanta, um grande animal preto em forma de cão, mas que as vezes é descrito como um felino. São muitas as superstições envolvendo a paralisia do sono. No passado eram comuns os relatos de demônios que podiam assumir a forma humanoide e invadir o sonho das pessoas. Traziam tormento e drenavam a vitalidade sexual de suas vítimas. Íncubo era sua personificação masculina, e súcubo a feminina. Hoje em dia as pessoas não só são atormentadas por sombras, espíritos ou demônios, mas também são visitadas e até mesmo abduzidas por extraterrestres.

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EXPLICAÇÃO MASTIGADA E EXEMPLIFICADA
Percebemos que a exposição cultural dos indivíduos corrobora para os diferentes cenários durante essas tensas experiências. Mostrando que a ilusão criada nada mais é que o acúmulo caótico dos nossos medos e traumas. A paralisia do sono pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e em qualquer horário do dia. Existem vários estágios que montam nosso momento de sono, e um deles é conhecido como Sono R.E.M., sigla em inglês para rapid eye movement, que traduzido fica movimento rápido dos olhos. O período R.E.M. se repete durante os vários momentos do sono. Acontece de nesse período as nossas funções motoras estarem “desativadas por segurança”, basicamente para não nos debatermos descontroladamente por conta de estímulos dos nossos sonhos por exemplo. Já imaginou sonhar estar correndo e literalmente seu corpo corresponder à ideia? Bem, é por isso que ele precisa desligar. O distúrbio é o despertar pela metade. É o estar consciente ao mesmo tempo com acesso ao seu subconsciente. Durante a paralisia do sono você abre os olhos de forma consciente mas o seu corpo ainda não recebeu o estímulo cerebral para que recobrasse as funções motoras por completo. Então te sobra apenas pode assistir o ambiente ao redor, e junto disso por conta do pânico da imobilidade, traz do subconsciente seus piores medos. Nesse momento pode acontecer de tudo que seu cérebro puder produzir!

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A paralisia do sono é mais recorrente do que imaginamos, e geralmente nem percebemos que ela ocorreu. Na maioria das vezes passamos por ela e acabamos catalogando como apenas mais um sonho. O mais curioso, e que serve para provar que temos consciência nesse estágio de paralisia, é que temos ciência de que estamos passando pelo transtorno. Particularmente é o que aconteceu comigo. Um tempo atrás eu passei pela minha primeira experiência com o fenômeno, e por mais estranho que possa parecer, eu sabia que estava tendo uma paralisia do sono. Coincidentemente eu havia lido um artigo sobre o assunto poucos dias antes, então procurei não estimular o pânico. Eu via sombras aleatórias se formarem pelas paredes, tinha a sensação de que as coisas giravam vagarosamente, mas não alimentei minha ilusão com nada medonho. Procurei estimular as extremidades do meu corpo, os dedos dos pés e das mãos. Tinha lido no tal artigo que isso ajudava à sair do estado anestésico. É exatamente essa a sensação, a de estar anestesiado. Aquela sensação ruim de quando você acorda após uma cirurgia e não consegue mover parte do corpo. Quem já passou pela anestesia raquidiana vai saber do que estou falando. Se concentrando em forçar essas extremidades, você consegue bem rápido se libertar da paralisia. E com alguns tapas e água gelada no rosto você está novinho em folha e definitivamente acordado.

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O QUE CAUSA A PARALISIA DO SONO?
Existem vários fatores que somam para o distúrbio. O baixo índice do hormônio melatonina e do aminoácido triptofano, o sono irregular, estresse elevado, alimentação pesada, consumo excessivo de bebida alcoólica, uso de drogas lícitas ou ilícitas, e até mesmo o nível elevado de fadiga. Basicamente um pouco de tudo pode suceder à condição. Sem contar os grupos de pessoas que sofrem deste problema de forma crônica, e que precisam de acompanhamento médico profissional para conseguirem uma melhor qualidade de vida. A paralisia do sono pode parecer algo muito assustador, mas depois que entendemos como ela funciona, podemos melhorar muito nossa qualidade de sono.

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