023_00

A última safra de filmes lançados pelo selo Netflix teve coisas muito ruins mas também algumas boas, e a produção argentina O Filho Protegido se destaca positivamente entre eles. O suspense psicológico traz Lorenço, um pintor que fica obcecado com a ideia de sua esposa estar isolando seu filho dele e de todos. Sua paranoia acaba trazendo problemas que avassalam sua vida e deixa seus amigos próximos muito preocupados com sua saúde mental.

023_01

Particularmente não sou grande fã de filmes com essa pegada contemplativa e lenta. Tenho a tendência de me entediar e interromper a experiência várias vezes até conseguir terminar. Mas esse filme funcionou muito bem pra mim, instigou minha curiosidade como poucas obras conseguiram. Tive o sentimento de ser presenteado com algo inesperado. A explicação pra isso fica por conta de um roteiro muito bem escrito, que traz resultados antes de causas, mostrando uma sofisticação de narrativa sólida que flui muito bem. Sem qualquer queda ou pico de qualidade você é inserido de forma natural no transcorrer dos eventos, sentindo na pele a angústia crescente e latente de um do personagem que vai se perdendo nos labirintos da consciência.

023_02

A direção do argentino Sebastián Schindel tem inspirados planos-sequências, tirando proveito de uma fotografia muito particular, onde pinturas carregadas de personalidade ganham projeção em ambientes escuros e pesados. E tudo funciona de forma tão homogênea devido a atuações virtuosas que estimulam com facilidade enxergar verdade a todo instante. Joaquín Furriel que atua como Lorenço, personagem central, esbanja talento desenhando traços psicológicos profundos de um artista sensível e dedicado com suas criações, seja na arte ou na família. Heidi Toini, interpreta a esposa escandinava Sigrid, qual se mostra uma bióloga de personalidade introspectiva com alguns misteriosos traumas por superar. E temos também o espirituoso casal de amigos de Lorenço, Julieta e Renato, interpretados por Martina Gusmán e Luciano Cáceres.

023_03

Outra coisa que também me atraiu muito foi a belíssima trilha sonora do premiado compositor argentino Iván Wyszogrod, que explora violoncelo, violino e piano com paixão e melancolia. Eu não sei como esses caras fazem isso acontecer de forma tão compatível, mas sensação é de que direção e sonorização coexistem uma por conta da outra. Saber quem inspirou quem é uma dúvida. A trilha pode ser ouvida na página oficial do próprio Wyszogrod.

023_04

CONCLUSÃO
O Filho Protegido é adaptação de Leonel D’Agostino, do romance El Hijo do escritor Guillermo Martínez, e traz uma enredo que instiga a atenção contínua do espectador. Com atuações convincentes e um trabalho de arte geral digno de superprodução, vai agradar quem gosta de um suspense dramático no estilo hitchcockiano. O filme se concretiza de forma que talvez vá confundir algumas pessoas, mas está tudo lá, subentendido e não exigindo mais explicações de quem for atento.

Barra Divisória

assinatura_dan

Nenhum pensamento

  1. Gostei da sua leitura. Ao assistir me chamou mais atenção a paranoia de Sigrid em relação ao marido e a todos em volta, com exceção da misteriosa governanta. Acho que Lorenzo acaba pagando o preço da loucura da esposa, e também devido o seu passado ter sido conturbado e o diagnóstico psiquiátrico não ser favorável (duvidoso). Sem dúvida é um filme que possibilita o entendimento a luz de prismas diferentes. Um bom filme!

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s