Netflix
Ignorando qualquer explicação de onde ou em que época a narrativa ocorre, Outra Vida já começa mostrando um artefato extraterrestre chegando à Terra e pousando sobre uma extensa área verde de um perímetro urbano. E várias formas de interação com o objeto são experimentadas, quando após algum tempo um pesquisador descobre que ele emitia sinais para um determinado ponto no espaço. Então a nave Salvare é preparada para investigar a origem e intenção desse misterioso artefato, tendo coincidentemente a esposa desse mesmo pesquisador liderando a tripulação.

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Qualquer obra é proposta imaginando um público, claro, existem aquelas que são introspectivas almejando apenas saciar a vaidade do autor, mas estamos falando sobre uma produção comercial do Netflix. Pressupomos que qualquer produto pensado em ser vendido passe por uma rotina onde produtores e consultores discutem sobre conceitos. E conceito é a palavra central aqui. Tentarei não repeti-la muitas vezes.

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Outra Vida é uma produção original da Netflix que traz o clássico preceito de confinar um grupo de pessoas em uma nave e atirá-la aos perigos do espaço. Nenhum problema nisso, é até algo legal e que agrada muita gente, eu mesmo sou bastante fã. Problemas gravíssimos surgem quando público alvo e estabelecimento de conceitos se colidem. Você imagina que a equipe que formará a tripulação de uma nave com o objetivo de salvar a humanidade seja como? Profissionais experientes, caras cascudos que viveram a vida pelo estudo científico, de pele vampírica e barbudos pelo confinamento em centros de pesquisas, ou os recém formandos de Malhação? Errou se pensou na primeira sugestão! São recrutados os seres mais fúteis, complexados, paranoicos, irresponsáveis e enjoados, mas que magicamente demonstram capacitação para feitos complexos quando não estão agindo como adolescentes na praça de alimentação de um shopping. A maioria deles tem menos de trinta anos, e nem de longe convencem ser jovens interessados por astronomia, biologia, engenharia, ou qualquer outra especialidade útil numa expedição espacial, estão mais para participantes do reality show De Férias com o Ex.

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Usando apenas o primeiro episódio já vemos uma série de incongruências absurdas que não é preciso ser um especialista em tecnologia ou astronomia para começar a se coçar. E isso incomoda bastante. Temos hologramas de excelente qualidade atravessando instantaneamente o espaço e criando um bate-papo sem o mínimo delay, inteligência artificial que se comporta como aquela sua tia que sabe exatamente como você se sente sobre seu relacionamento, aproximações e rasantes em estrelas como um surfista pegando uma onda no Havaí, casa de máquinas de uma nave sofisticada condizente com um trem à vapor, e pessoas saindo do estado de hibernação feito bêbadas ou dando carpados dependendo do interesse do roteiro. Ou seja, a suspensão da descrença é exigida ao extremo para que se consiga gerar um mínimo divertimento. Sem falar nos conflitos fúteis que jamais ocorreriam numa equipe interessada em um bem maior como salvar toda a humanidade, e claro, resultando em brigas onde eles precisam sair no tapa, chute e mata-leão. Estou falando sério.

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Tirando esses pormenores que não incomodariam a audiência da programação do SyFy, a direção não brilha mas também não faz feio. Sou da lógica que se o diretor passa despercebido, é porque está fazendo corretamente seu dever. Afinal, essa é apenas uma série sem muitos recursos, com um elenco de orçamento limitado, um péssimo conceito, um roteiro nada original, ou seja, não se pode exigir grandes resultados. No entanto os efeitos espaciais muitas vezes abusam, se mostrando mais datados do que o esperado para qualquer produção humilde de 2019. As cenas em computação gráfica parecem ter sido feitas por um estagiário demitido dos estúdios de Sharknado, e te ejetam bruscamente do clima que você já está se esforçando pra entrar. Nos primeiros minutos eu já não esperava mais nada, então tire o cavalinho da chuva se você contava com algo no nível de Star Trek: Discovery ou do novo Perdidos no Espaço, pelamor. Incredulidade evita a frustração.

Outra Vida

O elenco de Outra Vida inclui Katee Sackhoff, a atriz principal conhecida por Battlestar Galactica, Samuel Anderson das séries Doctor Who e Trollied, Selma Blair de Anger Management, Tyler Hoechlin de Teen Wolf, e Justin Chatwin, o Goku de Dragonball Evolution. A série recém estreou e está disponível no serviço por assinatura Netflix, assista o trailer oficial.

Another Life

CONCLUSÃO
Não há muito o que defender em Outra Vida, é apenas mais uma série de ficção espacial com narrativa genérica e que se mostra incompetente em diversos fatores. Ignorando muita coisa ainda se consegue alguma inserção na aventura, mas existem tantos outros produtos com propostas parecidas e de qualidade superior, que pega até mal queimar a confiança e sugerir para alguém.

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