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Nos primórdios dos jogos eletrônicos eles não eram entendidos como são hoje, haviam apenas jogos como Tetris, Pong, Space Invaders, Tank, ou Asteroids, poucos fugiam dessa básica simplicidade. E devido a limitação de criar algo muito complexo, construir um personagem com algum grau de personalidade para inseri-lo num ambiente onde pudesse interagir, era uma tarefa praticamente impossível. Alguns corajosos programadores tentavam recriar jogos de RPG’s tradicionais baseados nos livros de Dungeons & Dragons, e o resultado era algo pouco intuitivo. Imagine você ter de digitar “foward” num teclado para dar o comando para que o personagem vá para frente. Se quisesse fazer um simples ataque precisaria escrever outra sentença de texto. Você conseguiria se manter interessado num jogo que decorresse dessa maneira por horas? Complicado não? As coisas ainda melhoraram um pouco quando Andrew Greenberg e Robert Woodhead lançaram Wizardry I: Proving Grounds of the Mad Overlord em 1981 para o Apple II. Nele você controlava seis heróis e precisava atravessar um extenso e confuso labirinto para encontrar e derrotar o poderoso mago Werdna. Existiam várias raças para criar sua party, e alguma variedade de magias e equipamentos estavam à disposição. Embora tenha sido sucesso por todo mundo, ainda não tinha as características claras que te fazia se desligar da estranha estética e mergulhar de imediato numa narrativa. As coisas realmente começaram a funcionar quando a Nintendo lançou Donkey Kong, a clássica versão badala dos arcades nos anos 80. Tal jogo que não é um RPG, um personagem de roupa e chapéu vermelho deveria salvar uma princesa de um enorme gorila. Personagem esse sem nome até então, mas que reapareceria dois anos depois em 1983 com seu próprio jogo, Mario Bros.. Com os inéditos elementos, vilão, herói, intuitivo controle, e missão, começaram a surgir as primeiras possibilidades práticas de como se contar uma história em um jogo e ter total controle sobre ele. Fora assim que começaram a surgir os primeiros jogos com uma narrativa mais complexa. Alguns exemplos são Zelda, Dragon Quest e Final Fantasy.

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O termo RPG abrange uma variedade grande de formas. Indo do mais popular estilo japonês como Final Fantasy, que são conhecidos como os jRPG’s, até os Action-RPG’s como Mass Effect. As opiniões divergem na hora de fazer essas rotulagens, porém é imprescindível essa classificação de sub-gênero para fazer alguém entender sob que mecânica aquele RPG funciona. Abaixo seguem algumas das classificações mais comuns.

RPG de turno

jRPG: Também conhecido como RPG Console, ou cruamente RPG para maioria, é o mais conhecido sub-gênero. Dragon Quest, Final Fantasy, Suikoden, e outros mais, se passam em universos paralelos envoltos em mundos mágicos que muitas vezes são mesclados a ficção científica. A grande maioria trabalha com um sistema de batalhas por turnos, onde o jogador administra um grupo de personagens pré definido ou que é recrutado no decorrer da aventura. A maior parte dos títulos tem forte influência dos animes, muitos deles sendo frutos diretos de uma série animada, quando não, o contrário acontece.

Disgaea

Tactical RPG: Utiliza de campos de movimentos como um jogo de xadrez, na maioria das vezes com um ângulo de visão isométrico. O sistema de batalha é limitado por turnos, onde o personagem faz determinada ação como mover, atacar, defender ou dar algum tipo de suporte. O desenrolar da narrativa pode acontecer dentro destes mesmos tipos de cenários isométricos, como acontece nos clássicos Vandal Hearts e Final Fantasy Tactics, como em Disgaea, que funciona como uma graphic novel até te atirar numa batalha, ou te dar um cenário de ambiente livre, como em King’s Bounty, por onde pode percorrer até entrar num conflito.

MMORPG

MMORPG: Os Massively Multiplayer Online RPG’s tem como característica principal a soma dos atos conjuntos de vários jogadores que interagem entre si nos ambientes mais variados. Podem ser medievais, futuristas, ou se passarem nos dias atuais. O que importa é a interação direta… é como se os jogadores estivessem em uma sala de bate-papo constantemente. A economia também é outro fator importante, onde a oferta e procura de um determinado item pode mudar todo o mercado. As pessoas podem vender seus bens para NPC’s, ou atribuir um valor que lhe dê na cabeça e esperar um comprador. Devido a alta competitividade, pois sempre há alguém jogando, os MMORPG’s facilmente seduzem e pode exigir mais tempo do que temos disponível para jogar. Títulos famosos são World of Warcraft, Ragnarök e Black Desert.

Zelda

Adventure RPG: Os jogos da série Zelda ou Ys são bons exemplos, pois não focam na complexidade dos sistemas de batalhas como os jRPG’s, são muito mais práticos e diretos. Veja um alvo, vá até ele, aperte o botão e pronto. Alvo atingido. O sistema evolutivo costuma funcionar como os outros subgêneros, quando com o passar de nível talvez ganhe uma nova barra de energia ou uma nova habilidade de ataque. Cavernas, florestas ou calabouços são alguns dos ambientes onde se passam a maioria dos títulos.

The Witcher

Action-RPG: Focam diretamente na ação como em um jogo em primeira ou terceira pessoa. Franquias como Mass Effect, The Elder Scrolls e The Witcher, mostram perfeitamente bem como funciona isso em seus principais jogos. Seu sistema para se locomover livremente torna tudo bastante imersivo e dinâmico. Os gamers ortodoxos não aceitam bem o gênero, mas há de se admitir que é uma evolução bastante grande na forma de exploração. Eles se possuem ambientes variados que vão desde ao mundo medieval até centenas de anos no futuro no profundo espaço, sendo alguns em corredores estreitos ou em gigantescos mapas abertos.

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Segue abaixo de forma cronológica alguns jogos de RPG que vem sendo lançados e mostram como esse gênero que prima pela narrativa vem evoluindo. Estão citados os mais relevantes pra mim, então certamente divergências de opinião irão surgir. Sinta-se livre para protestar e comentar os absurdos da linha lista e o que você pensa de diferente.

1980 – Akalabeth: World of Doom
Richard Garrio – Plataforma Original: Apple II
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1981 – Wizardry: Proving Grounds of the Mad Overlord
Game Studio / Nexoft – Plataforma Original: Apple II
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1982 – AD&D: Treasure of Tarmin
Mattel – Plataforma Original: Mattel Intellivision
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1983 – Ultima III: Exodus
Electronic Arts – Plataforma Original: Apple II
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1984 – ICON: Quest for the Ring
Macrocom / Sir-Tech Software Inc. – Plataforma Original: DOS
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1985 – The Bard’s Tale
Interplay / Electronic Arts – Plataforma Original: Apple II
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1986 – Dragon Warrior
ChunSoft / Nintendo – Plataforma Original: Nintendo
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1987 – Final Fantasy
Squaresoft – Plataforma Original: Nintendo
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1988 – Final Fantasy II
Squaresoft – Plataforma Original: Nintendo
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1989 – Phantasy Star II
Sega – Plataforma Original: Sega Genesis
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1990 – Final Fantasy III
Squaresoft – Plataforma Original: Nintendo
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1991 – The Legend of Zelda: A Link to the Past
Nintendo – Plataforma Original: Super Nintendo
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1992 – Final Fantasy V
Squaresoft – Plataforma Original: Super Nintendo
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1993 – Illusion of Gaia
Quintet / Nintendo – Plataforma Original: Super Nintendo
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1994 – Final Fantasy VI
Squaresoft – Plataforma Original: Super Nintendo
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1995 – Chrono Trigger
Squaresoft – Plataforma Original: Super Nintendo
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1996 – Diablo
Blizzard Entertainment – Plataforma Original: PC
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1997 – Final Fantasy VII
Squaresoft – Plataforma Original: Playstation
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1998 – The Legend of Zelda: Ocarina of Time
Nintendo – Plataforma Original: Nintendo 64
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1999 – Shenmue Chapter 1: Yokosuka
Sega AM2 – Plataforma Original: Dreamcast
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2000 – Vagrant Story
Squaresoft – Plataforma Original: Playstation
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2001 – Final Fantasy X
Squaresoft – Plataforma Original: Playstation 2
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2002 – The Elder Scrolls III: Morrowind
Bethesda Softworks – Plataforma Original: PC
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2003 – Tales of Symphonia
Namco – Plataforma Original: Gamecube
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2004 – Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King
Level 5 / Square Enix – Plataforma Original: Playstation 2
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2005 – Radiata Stories
Tri-Ace / Square Enix – Plataforma Original: Playstation 2
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2006 – The Elder Scrolls IV: Oblivion
Bethesda Softworks – Plataforma Original: PC
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2007 – The Witcher
CD Projekt Red Studio – Plataforma Original: PC
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2008 – Fallout 3
Bethesda Game Studios – Plataforma Original: PC
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2009 – Dragon Age: Origins
BioWare – Plataforma Original: PC
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2010 – Mass Effect 2
BioWare – Plataforma Original: PC
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2011 – The Elder Scrolls V: Skyrim
Bethesda Game Studios – Plataforma Original: PC
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2012 – Mass Effect 3
Bioware – Plataforma Original: PC
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2013 – Fire Emblem: Awakening
Intelligent Systems / Nintendo – Plataforma Original: Nintendo 3DS
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2014 – Bravely Default
Silicon Studio / Square Enix & Nintendo – Plataforma Original: Nintendo 3DS
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2015 – The Witcher 3: Wild Hunt
CD Projekt RED – Plataforma Original: PC
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2016 – Final Fantasy XV
Square Enix – Plataforma Original: PS4
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2017 – The Legend of Zelda: Breath of the Wild
Nintendo – Plataforma Original: Nintendo Wii U
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2018 – Dragon Quest XI: Echoes of an Elusive Age
Square Enix – Plataforma Original: PS4
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Existe uma série de RPG’s que mereciam algum espaço, mas definitivamente não teria como fazer as considerações de todos os jogos que considero digno, talvez num futuro. Espero que tenham gostado e que eu tenha contribuído de alguma forma para sanar sua curiosidade sobre esse interessante gênero. Deixe seu comentário e nos siga para receber avisos sempre que um novo conteúdo for postado no site.

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