Typewriter

Muita gente assiste filmes e séries de terror por conta de curtir a tensão do imprevisível. Ficam no aguardo daquele ser que surge abruptamente da escuridão e modifica sua fisionomia para algo sinistro. Geralmente os olhos e boca num profundo negro são os mais comuns nas obras desse gênero. Typewriter vai de contramão à isso, e faz muito diferente do tradicional horror gráfico qual estamos bastante acostumados. Na minha opinião pessoal, tem muito mais eficiência na exploração do medo, e nesta breve resenha irei explicar a razão.

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A produção indiana de Sujoy Ghosh tem apenas 5 episódios nessa primeira temporada, e se inicia com um fato interessante. A chamada para série é uma literal cópia de um curta de Ignacio F. Rodó, chamado Tuck me in. Durante o exato um minuto de duração se nota de onde Ghosh trouxe sua suposta inspiração. Mas tirando esse curioso trecho de introdução que faz entender qual é a pegada da série, tudo me aparentou ser bem original. Eu pelo menos não recordo ter assisto até hoje algo parecido.

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Superando essa estranha similaridade, que vai lá saber se os caras tomaram um café e formalizaram o uso nessa nova produção, o episódio dá andamento após uma bonita e bem feita introdução. Um trio de crianças próximo aos 10 ou 12 anos estão matando aula para ficar perambulando pelo bairro enquanto discorrem em assuntos sobre fantasmas, e de cara a sensação é de estar assistindo uma daquelas novelas infantis brasileiras. Eram dois garotos liderados por uma garota, onde o mais responsável ali aparentava ser justamente o cachorro de um deles. Introduzindo esses três personagens, e o totó, a cena troca para uma família onde pai, mãe, e um casal de filhos estão se mudando, justamente para o imóvel onde iniciou o episódio. A mansão Bardez Villa, que com sua fama de assombrada serve de base de exploração pra toda essa temporada.

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A forma que Ghosh dirige procura ser a mais simples possível, explorando planos curtos com tomadas bem conservadoras, e isso causa a estranheza de parecer uma novela barata. Sensação essa que rapidamente perde importância pela construção de diálogos confortáveis de acompanhar e um roteiro que te remete ao mistério ininterrupto. Não existe muita pirotecnia pra executar suas ideias, nem mesmo os fantasmas são criaturas bizarras, pessoas saturadas com maquiagens toscas, ou silhuetas translúcidas. Eles são exatamente assim como eu e você, se apresentam na história como representação carnais, e é exatamente esse o ponto sinistro. Você nunca sabe se está conversando com uma pessoa normal, ou com uma abominação de outro mundo.

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Após alguns minutos do primeiro episódio a coisa vai mudando de tom, e se antes o sentimento era o de estar assistindo conteúdo infantil, o ambiente vai ficando cada vez mais pesado e sinistro. O que parecia ser algo bobo e despreocupado, se transforma em algo bem mais aterrador com a cena da primeira morte. Um assassinato para falar a verdade, e ele ocorre da forma mais limpa, mundana e direta. Não há um impacto visual como estamos habituados, explora nossa dúvida e traz uma angústia pela incerteza do que é real.

série indiana

CONCLUSÃO
Typewriter é uma série original da Netflix que traz um novo tipo de fazer terror, e acredite, ele só esboça parecer com um Stranger Things, rapidamente você vê que segue para um rumo próprio. Eu ainda não assisti tudo, me falta o quinto e último episódio que verei daqui à pouco, mas posso garantir que é um terror de muito bom gosto. Lembra daqueles livros de contos sinistro da Editora Ática? Então, assistir essa série me trouxe exatamente esse sentimento nostálgico daquelas histórias. Porém com um pouquinho mais de peso e maturidade, não recomendo trazer seus filhos menores de 12 anos para assistir.

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