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Quando era pequeno não costumava ir muito no cinema, lembro de ter visto alguns filmes dos Trapalhões, Aladdin, Independence Day, O Quinto Elemento, e o filme que será gatilho para esta resenha, O Rei Leão. Salvo engano, terem sido só esses mesmo. Isso significa que são 25 anos de distanciamento do desenho original, sendo assim considero estar livre de qualquer comparação exagerada ou preconceito bobo. Se tem coisas que eu me recorde nesses anos todos, é porque realmente deve ter me marcado. E eu lembro, mesmo tendo visto uma única vez no cinema quando tinha 10 anos.

Timão e Pumba

SPOILER ALERT!
Não sei o que seria spoilers pra esse filme, pois acredito que até as crianças pequenas já fizeram o aquece assistindo o antigo para ver o novo live action no cinema. Então deixo avisado, esse texto será um spoiler gigante, e se realmente não assistiu o desenho e nem o novo filme, procure qualquer outra coisa do site pra ler, pois esse texto não é pra você. Estou escrevendo cerca de duas horas após ter saído do cinema, está tudo bem fresquinho na cuca e já deu tempo de fazer a reflexão para ter as impressões. Então vamos lá, seja educado e coloque seu celular no silencioso porque o filme já vai começar!

Rei Leão

 

No início logo de cara você vê que as cenas, e até as transições de câmera, são exatamente as mesmas do desenho original. A sensação é de estar assistindo uma montagem com cenas do National Geographics nas savanas africanas tentando imitar a antiga versão. Cinegrafistas da vida selvagem ficaram 20 anos capturando as cenas ideais para se adequar exatamente aos takes clássicos. E isso chegava a deixar confuso, você se distrai em reflexões tentando entender se aquilo é uma filmagem de verdade ou uma animação em CG, sério mesmo. A coisa é mais real que o mundo real. Depois daquilo não duvido nossa existência ser totalmente uma simulação. Credo. Os animais não eram caricaturizados, ou seja, os leões não tinham expressões faciais comuns à qualquer animação, eram nitidamente animais selvagens sem qualquer pitada de humor. Para não ser incoerente, apenas o Simba parecia fazer alguma feição de sorriso, mas tenho quase certeza de que era só impressão minha.

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Decretado! E ponho a mão no fogo que qualquer adulto que tenha visto o desenho original vai concordar. O problema do filme era exatamente seu maior mérito, o realismo excessivo. Toda a emotividade da narrativa, as faltas de expressões dos personagens faziam com que você não alcançasse nem de perto o mesmo nível de empatia que o desenho. Na parte em que Mufasa morre, momento que deveria ser o pico dramático do filme, não existia mais emoção. Diferente do desenho, você não conseguia enxergar a carga dramática daquele instante. O Rei Leão morreu. Tá. Agora a gente enterra. Exagerei um pouco mas é quase isso. Haviam apenas as linhas de diálogos para te convencer dos sentimentos dos personagens, e nem mesmo a dublagem ajudava. Não sei o que houve, porque a Disney não tem o costume de dar esses vacilos nas localizações de seus filmes para o Brasil, mas realmente a dublagens estavam muito instáveis. As vezes estavam legais, outras vezes ruins, mas nunca grande coisa. A maioria dos trechos musicais ficaram legais, e isso não é mérito desta nova versão, como eu já disse, todas as coreografias eram na cara dura aproveitada, logo as músicas também. Só teve uma música que me pareceu ser nova, a de quando Simba se convence de voltar para sua terra e corre atrás de Nala, mas é bastante curta, pareceu ter sido até interrompida. Talvez ela estivesse no desenho e tenha sido eu que esqueci mesmo.

Simba

 

Mas vamos lá, até agora eu falei que o filme é diferente, mas não disse ruim. Existem momentos muito bons no filme, e maior parte é relativa à situações cômicas. Os problemas de flatulência de Pumba, Zazu contando histórias familiares, Timão que sem esforço faz rir (acho que qualquer suricato faz rir), e a dupla de hienas idiotas discutindo e brigando por espaço são impagáveis. Esses são os pontos máximos do filme, tirando isso parece um filme que passava antigamente na TV, se não me engano tinha um casal de jovens adolescentes, e também se passava em área de savana. Só sei que nesse filme os animais também falavam, com a diferença de não mexerem a boca. Juro que pesquisei sobre esse filme pra trazer o nome, mas não encontrei nada. Acho que era da década de 60. Eu lembro disso, não estou maluco! Certeza que você também lembra.

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CONCLUSÃO
Tenho duas impressões separadas. Se você é alguém, mesmo que uma criança, que nunca assistiu ao desenho original, a sensação é de estar assistindo um documentário ambientalista. Da forma que o filme funciona, o realismo excessivo inevitavelmente te leva entender que tudo aquilo é real. Que a natureza é linda e funciona por um motivo único, a não depredação desnecessária da vida. Isso é ruim? De maneira alguma! Se O Rei Leão fosse apenas isso, já seria algo maravilhoso, algo louvável de uma produção cinematográfica. Mas se você já assistiu o desenho e foi consumir o live action tendo a consciência de que aquilo é um remake, a sensação é de ter visto um esboço muito bem esboçado. O que quero dizer com isso? Quero dizer que fizeram um trabalho magnífico tecnicamente, algo nunca visto até então em criação computadorizada de ambientes naturais, mas que nem de longe traz a carga emocional que fez crianças chorarem litros nos cinemas. Claro que animais de verdade expressam sentimentos, e até essas expressões realistas estão lá, mas não é como no desenho. O desenho é feito para se comunicar com pessoas, então ele te oferece mecanismos que conseguimos entender de imediato. Você tem um gato em casa ou já teve proximidade com um? Quando você mora com ele você entende sua personalidade, mas se chegar um outro, você consegue saber exatamente qual é a dele? Se você ver um suricato, um javali ou um gnu, você sabe qual é a deles? Então é simples, animais principalmente os selvagens, não evoluíram para se comunicar conosco. O Rei Leão de 2019 é um filme muito bacana, mas muito diferente de O Rei Leão de 1994. Não sei se o live action terá mesma vivacidade do desenho original, porque esse sim, já está entre reis no firmamento.

Barra Divisória

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