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O bom tom geralmente é o mais simples, isso é uma regra que procuro aplicar na minha vida pra evitar complicações. Ou pelo menos pra ser tão prático ao ponto de eu poder consertar mais fácil. Entendo que esse provavelmente foi o caminho seguido em O Sequestro de Stella, thriller alemão de 2019, do diretor Thomas Sieben, e distribuído pela Netflix. Já adianto, gostei do filme, mas com ressalvas. Não é um filme que lembrarei pela eternidade, provavelmente daqui uns três dias nem lembre mais que vi. Assisti no dia que escrevo esta resenha. No entanto, mesmo sendo um filme bastante simples, é também muito honesto com o que promete desde o início. É um filme original? Não, existe uma infinidade de filmes com o roteiro bem parecido, e isso de forma alguma é motivo para deslegitimar a obra. Vale lembrar também que este filme não se trata de um plágio de O Desaparecimento de Alice Creed, mas é sim o remake do longa britânico de 2009.

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FIQUE DISTANTE DOS TRAILERS

Logo de cara o que se nota é a modéstia, e embora seu início mostre um excelente trabalho de montagem, o decorrer do filme até o final faz parecer que a produção perdeu a carteira. O roteiro como eu disse anteriormente é muito simples, dois caras decidem sequestrar uma garota com um plano aparentemente decente. E aqui fica um importante aviso pra não estragar sua diversão, que provavelmente já não vai ser tanta. Se não viu o trailer, continue sem ver! Esse é mais um daqueles filmes onde o trailer é um resumo completo do filme, sem a preocupação ao menos de bagunçar a cronologia das cenas. Até para escolher as imagens para ilustrar ficou um pouquinho complicado, visto que praticamente tudo poderia ser um spoiler.

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ENTRANDO NO PLOT (E SEM SPOILERS)

Vic (Clemens Schick) e Tom (Max von der Groeben) planejam e concretizam o sequestro da jovem Stella (Jella Haase), onde de imediato o filme salta de um plano de periferia saturada, para um ambiente escuro e claustrofóbico. Local esse onde a história desenrola praticamente até o fim. Fica nítido desde o início que um dos sequestradores está pouco confortável com o crime que estavam cometendo, então o que se tem é a exploração de diálogos onde as diferenças de seus perfis psicológicos são delineadas. Enquanto Tom não consegue esconder o sentimento de culpa e preocupação, Vic exige dele mais concentração e iniciativa pelo sucesso do plano. Na cabeça de Vic tudo estava pronto, só bastava Tom ajustar o ânimo pra que tudo desse certo. Seria apenas tirar alguma fotos da já subjugada vítima e enviar o pedido de resgate à seu abastado pai. E é à partir deste ponto que qualquer coisa mais que se diga será um escroto spoiler.

O Sequestro de Stella

Com um roteiro tão básico eu pelo menos esperava um pouco mais de esmero pelas atuações, já que a coisa toda é tão micro, vamos pelo menos fazer nossa entonação ser macro. Mas não, nenhum dos três únicos atores, puxa a responsabilidade para si ao engrandecer o filme com algum diferencial. Basta apenas o feijão com arroz escrito no script e pegar seu magro cheque. E isso é uma pena, pois a gente nota fácil que atores bons de verdade enxergariam o potencial de tensão e emotividade que poderia sair dali. O resultado é algo que não fede, e só não cheira porque não prometeu algo qual descumpriu. Por isso escolhi as palavras do começo desse texto, se você tem um ovo, faça ele frito ou cozido. Se der errado é você quem vai ficar com fome. Exatamente o que a Netflix traz com esse remake, um belo ovo cozido sem acompanhamento. Talvez ganhe um copo d’água. Você gosta de ovo? Eu sim, tenho nada contra.

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CONCLUINDO, VALE OU NÃO À PENA VER?

Eu sou da política que tudo vale ser conferido, tirando A Centopeia Humana 3 e Piranhaconda, não tem filme que não valha pelo menos o confere para ver que piece of shit ele é. Mesmo com toda sua precariedade financeira e de atores mais expressivos, não julgo que o resultado seja um filme tão ruim. Seu chove e não molha não causa grande comoção, e você não tem tempo e nem motivos pra adquirir qualquer repulsa pelos vilões ou simpatia pela vítima. O Sequestro de Stella é um filme catálogo da Netflix que só será assistido uma única vez na vida por quem não achar nada mais interessante pra ver. Basicamente um episódio da sua novela preferida. A minha é Tieta.

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Nenhum pensamento

  1. Eu concordo em tudo que foi dito, mas não acho que não tenha sido um plágio do Desaparecimento de Alice Creed. Esse filme inclusive foi bem melhor, os atores passaram muito mais veracidade entre outras questões.
    O que lamento é que o Desaparecimento de Alice Creed não teve tanta divulgação quanto o Sequestro de Stella. Talvez devido o ano de lançamento de cada um, mas enfim, tirem suas conclusões, assistam os dois.

    Grande abraço.

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