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Vindo morar no bairro onde moro, minha mãe me matriculou numa escola pública não muito distante, mas que não era seguro uma criança de oito anos ir sozinha. Lá as mães conheciam outras mães, e por coincidência os alunos conheciam outros alunos, então logo fiz amizade. Conheci muitas crianças da minha idade, incluindo meu primeiro amigo. Ele morava próximo à minha rua, então minha mãe e a dele acordaram quem levava e trazia os dois marginais. Passei então a frequentar a casa dele nas tardes após a escola. Ele tinha um Nintendinho, especificamente um Action Set com Super Mario Bros. 3, e nele perdíamos tardes inteiras desvendando e extraindo o máximo de um único jogo. Era uma época legal, sem preocupações ou pressões, apenas dois moleques com gostos parecidos sentados no chão e vidrados numa TV de tubo enquanto revezavam o controle. Na hora do lanche era mortadela, pão de forma e suco. Detalhe uma fatia de cerca de três centímetros de altura de mortadela, já que estávamos em fase de crescimento isso era muito bem vindo para o fígado. Nessa época eu tinha um Atari 2600 da CCE, um VG-3000 que ganhei da minha avó depois de atazanar todos pelo desaparecimento do Polyvox que meu tio tinha. Eu me divertia com ele, e desconhecia o universo dos videogames. Não fazia ideia de que outros aparelhos existiam na Terra. A minha compreensão de mundo era de que o Atari era o único brinquedo eletrônico que existia, até conhecer aquela aberração da natureza chamada Nintendinho com um único jogo do Mario. Depois disso esse assunto foi aflorando, passamos a ter acesso à revistas de games, e até comerciais de TV começaram a passar. Não sei qual foi a razão, mas provavelmente entenderam que eu poderia estar dando prejuízo com mortadela, então me mandaram escolher um videogame para me obrigar a ficar mais em casa. E eu já sabia o que queria! Tinha visto o comercial na TV!

Maluco! Isso explodiu minha cabeça! Uma hora o melhor gráfico que eu conheço é de uma pizza comendo batata frita num labirinto, depois conheço um encanador quadriculado entrando pelo cano, e depois uma dupla de macacos irados que montam em avestruz enquanto desbravam floresta sinistras?! Holy crap! Era aquilo que eu queria! Vó! Escolhi! Vamos lá comprar ontem?!

Donkey Kong Country

Coturno, cantil, chicote, chapéu do Indiana Jones e pai, eu estava preparado para ir. Segundo intel dos meus informantes a rota para o sucesso na missão seria a loja Casa & Vídeo, então foi para lá que nos orientamos pela bússola e tomamos rumo. Era final de ano, período de início de férias, então aquela loja estava estufada de seres humanos, e eu queria que todos saíssem, estavam me atrapalhando na minha jornada. Ativei o radar tentando localizar o meu alvo, a loja era maior do que eu imaginava, então meu pai me tomou pela mão e me puxou sem explicar nada. Paramos num balcão de vidro onde diversas outras pessoas estavam debruçadas sobre ele. Esperamos um tio ou tia do balcão atender e provavelmente meu pai perguntou onde ficavam os Super Nintendos. O tio ou tia apontou para o alto e mostrou aquela enorme caixa. Quando olhei pro alto vi vários cubos promocionais do Donkey Kong Country pendurados no teto, eu tinha certeza, estava no lugar certo! Pai, é aqui! Então eu falei “é o videogame que vem com o Donkey Kong!”, e meu pai esperou o tio ou tia voltar a dar atenção para gente de novo, a loja estava realmente cheia. Minha imaginação foi longe e eu já me via em casa sentado no chão ignorando toda a humanidade ao redor enquanto jogava Donkey Kong Country. Não tinha nada melhor que aquilo no mundo, desculpe Leandro, eu trai Super Mario Bros. 3, talvez nossa amizade não fosse ser mais a mesma depois disso. Então a tia ou tio retornou e meu pai explicou que era o videogame que vinha junto com o jogo do macaco. Então a pessoa inspirou suavemente, direcionou a visão pra baixo procurando olhar no fundo dos meus olhos, e com um sorriso demoníaco disse “não tem mais com Donkey Kong, acabou, só tem com Super Punch-Out…” Whatafãqui! Como aquela pessoa descarada podia dizer isso pra mim assim na minha cara?! Eu tinha um facão! E um chicote! E que porra era essa de Super Punch-Out?! Então ela desceu a caixa e mostrou de perto. Punch-Out era um careca com luvas de boxe vermelha, que bosta era isso? Não ferra! Falei pro meu pai que não era esse, era o com Donkey Kong! Meu pai confuso com minha frustração perguntou se realmente não tinha mais nenhum, e a pessoa explicou que a procura tinha sido muito alta no decorrer do dia e tinha esgotado tudo. Nem cartuchos avulsos tinham mais no estoque. Eu não era uma criança mimada, não estava acostumado a ser levado pra escolher coisas que quisesse ganhar, então não surtei ou coisa do tipo. Só fiquei apático em total frustração interior, não era nada demais, eu só queria morrer.

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Meu pai me levou num canto e explicou o que imaginou que eu já não havia entendido, e perguntou se eu não queria deixar pra comprar outro dia. Parei um tempão pra pensar e levei quase dois segundos. Aquela em uns dez anos era a primeira vez que o meu pai me levava pra comprar algo, me parecia bastante incerto que essa oportunidade pudesse se repetir, então não havia jeito. Decidi aceitar comprar com aquele maldito jogo do careca que eu não fazia a mínima ideia do que se tratava. Pelo menos o videogame eu precisava garantir. Sorriso no rosto e putaço por dentro, voltamos para casa. Sem a mesma empolgação de mais cedo eu tiro o videogame da caixa, dou uma olhada superficial no manual e instalo na TV. Pego aquela famigerada fitinha e encaixo no console.

Super Punch Out

Meu deus, como eu fiquei irritado! Hoje eu não tenho certeza se minha irritação já vinha por conta da frustração, ou se aquele jogo me irritou por si só. Primeiro que ele não me atraiu esteticamente, cara, eu tinha visto o comercial do Donkey Kong, que se exploda Punch-Out! Má vontade ou não, eu não conseguia passar daquele maldito segundo lutador, que na minha cabeça era o Brutus do desenho do Popeye. Eu devo ter tentado umas dez vezes e fiquei de saco cheio. Desliguei o videogame e fui fazer outra coisa. Acho que meu pai notou, porque virou pra mim e perguntou se eu não queria ir na locadora com ele. Topei. Vamos alugar um filme então, melhor que ficar jogando tal abominação. Saímos fomos numa locadora que eu nem sabia que existia perto da minha casa. O nome dela era VIDEOGAME. Parecia promissor, uma locadora de filme com nome de videogame. Entramos e me espantei! O que era isso? Tinham cartuchos de jogos em locadoras de filmes?! Meus olhos brilhando percorreram as prateleiras com atenção, eram várias fitas de Super Nintendo! Olhei pra lá, olhei pra cá, e não achei o que eu procurava. Então eu ouço o meu pai me chamando, ele estava preenchendo o cadastro na locadora. O moço bigodudo e usando óculos de policial, dono da locadora, olha pra mim e pergunta “Você já jogou esse? Acabaram de entregar”. E ele me mostrou a caixa de Donkey Kong Country Um! Naquele momento pensei em pedir pra minha mãe me colocar no catecismo, Deus existia mesmo! Mas se eu fosse pro catecismo eu não poderia jogar. Então não falei nada com a minha mãe. Meu pai acabou de fazer o cadastro e fomos correndo pra casa, meu pai estava com bastante pressa.

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Chegado em casa era a hora do almoço, mas não o meu, talvez eu jantasse se tivesse fome. Tirei o cartucho do Super Punch-Out do videogame, joguei pela janela, e espetei o macaco! Porra cara! Agora sim! O Super Nintendo ficou até mais bonito com aquela fita plugada. Levantei rapidinho, fechei a cortina e liguei a bagaça! A logo da Rare com aquela musiquinha penetrou no meu cérebro e ficou. Alguns recordam da intro quando o Playstation consegue ler o disco após ligar, eu já lembro dessa bendita musiquinha. A abertura rola e é indescritível a sensação de ver isso a primeira vez, tudo é mágico. Talvez pareça até bobo tentar explicar nos dias de hoje, mas pra aquela época aqueles gráficos eram algo fora do normal, não tinha nada que chegasse ao menos próximo. Comecei a primeira fase, e nossa, que jogabilidade fluída. A quantidade de quadros de animações era algo absurdo! Você podia rolar, girar emendando pulo, bater com as mãos no chão, pular em diferentes níveis de precisão, batia no peito, sentava no chão, coçava a cabeça, caminhava, corria à passos largos, abaixava, lançava objetos, andava abaixado sorrateiramente, nadava, comemorava, se indignava caso perdesse uma fase bônus, e muito mais. Enfim, te desafio encontrar outro jogo 2-D com tanto esmero em detalhes como esse, acredite, você não vai encontrar.

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Conforme você progredia no jogo a dificuldade subia junto, e as fases eram umas mais lindas que outras. Os ambientes aquáticos te levavam à uma imersão inimaginável, com uma trilha sonora nunca vista num jogo até então. Não eram aqueles barulhos MIDIs irritantes, a sensação era de estar ouvindo uma orquestra que conseguia transmitir toda sensação daquela atmosfera. Suave com tons levemente preenchidos por flautas e violinos, e matador quando queria, recorrendo à baterias e guitarras pesadas. Não dava pra acreditar que o Super Nintendo era capaz daquilo. As trilhas vinham do genial David Wise, compositor britânico conhecido justamente pelo seu impecável trabalho em toda trilogia Donkey Kong. A sua magnum opus viria em Donkey Kong Country 2, que até hoje, mais de 20 anos, está no topo como a trilha sonora preferida de muita gente.



Algumas das músicas mais interessantes do primeiro jogo da franquia. A belíssima e atmosférica Aquatic Ambiance, a expansiva Bad Boss Boogie que te remete à um perigo iminente, e a Fear Factory, uma composição progressiva cheia de adrenalina.

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O visual alcançado em Donkey Kong Country vinha de uma ferramenta muito poderosa, senão a mais poderosa da época em se tratando de modelagem em computação gráfica. A Rare utilizou dos mesmos recursos usados por grandes estúdios de cinema, a icônica estação Silicon Graphics. Com essa ferramenta o estúdio criou modelos tridimensionais de alta definição. Foram adicionados digitalmente eixos mecânicos para as articulações, o que permitiu com complexidade o grande número de quadros de animações encontrados no jogo.

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O projeto nasceu por conta da Rare ter obtido grande prestígio com a Nintendo, em principal com sucesso de Battletoads de Nintendinho. Foi oferecido à desenvolvedora que eles escolhessem a franquia que quisessem da Nintendo para que explorassem num novo jogo, e eles não tiveram dúvidas, era Donkey Kong, antigo sucesso dos arcades que queriam fazer. Eles já tinham planos de um novo jogo do Battletoads para Super Nintendo, e com essa oportunidade pararam tudo e deram ênfase à Donkey Kong Country. Tiraram proveito até de alguns modelos já prontos para o projeto antigo e migraram para o novo.

Donkey Kong

Uma curiosidade do Donkey Kong original, é que ele surgiu antes do primeiro jogo do Super Mario. Cranky Kong, o macaco velhinho de bengala do Donkey Kong Country, era o vilão que sequestrava a mocinha que um certo personagem bigodudo e sem nome definido precisava resgatar numa aventura vertical. Aí você imagina que o jogo foi feito para fazer alusão ao clássico do cinema King Kong, mas aí que você se engana. Na verdade Shigeru Miyamoto aproveitou um jogo praticamente pronto do Popeye, onde Brutus foi substituído por Cranky, e o comedor de espinafre pelo nosso protótipo de Mario. De qualquer forma era gritante demais a semelhança com King Kong, e isso irritou a Universal Studios que chegou a processar a Nintendo acusando-a de plágio. No entanto os personagens, bem como o enredo do clássico já estavam em domínio público, o que permitia a Nintendo fazer o que quisesse. Aproveitando a deixa de eu ter citado Miyamoto, vale lembrar que ele detestava o que a Rare fez com seu personagem. Ele era um cara purista e não gostava de gráficos realistas, valorizava nos jogos o visual lúdico e colorido, e isso ia em sentido completamente oposto ao esforço que se fazia para trazer o máximo de realismo nos gráficos computadorizados de Donkey Kong Country. No fim das contas não teve jeito, com o grande sucesso comercial ele foi obrigado a aceitar que não importava o que achava, a Rare entregou algo único, só isso importava.

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Com esse grande alvoroço em cima do jogo do macaco, a rede americana Blockbuster, recebeu dos produtores do jogo cartuchos especiais para que organizassem competições no ano de 1995. Esses cartuchos tinham leves modificações, como um contador regressivo de tempo de cinco minutos, um contador de bananas de três dígitos, quando no original o máximo é noventa e nove, e o jogo congelava ao fim da contagem de tempo para que juízes registrassem a pontuação do competidor. Apenas onze fases estão jogáveis nesta versão, os animais de suporte foram removidos, e o cartucho inicia pulando a tela de apresentação, já te levando para a primeira fase com um total de cinquenta vidas. Atualmente o Donkey Kong Country Competition Cartridge é um item bastante raro e cobiçado por colecionadores, seu preço gira em torno dos US$ 1600.

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Passado exato um ano a Rare já surge com a sequência Donkey Kong Country 2: Diddy’s Kong Quest, aventura essa onde o temido pirata Capitão K. Rool sequestra nosso amigo Kong e exige em resgate a reserva de bananas da Família Kong. Então Diddy e sua namorada, Dixie, se unem para resgatar Kong das garras dos terríveis Kremlings, viajando através de fases ainda mais bonitas e criativas que a do primeiro jogo. Se Donkey Kong Country já mostrava um visual incrível, a sua sequência conseguia fazer ainda mais bonito, agora trazendo a teatralidade do mundo dos piratas num ambiente sombrio com pântanos, colmeias gigantes, fases em terrenos vulcânicos e labirintos traiçoeiros cheios de espinhos. Tudo fora melhorado, o jogo trazia jogabilidade ainda mais responsiva, gráficos mais lapidados, level design melhor elaborado, e uma trilha sonora épica! David Wise superou seu magnífico trabalho anterior. E não consigo não compartilhar pelo menos algumas das melhores músicas do jogo.



A emocionante Bramble Blast quase tem vida própria, é uma bela composição de mais de quatro minutos com sintetização no estilo synthwave mas com um ritmo único característico de Wise. Forest Interlude é outra belíssima peça atmosférica, tendo um ar misterioso, que ao fechar os olhos a sensação é ser transportado para uma floresta cheia de encanto e movimento. Já Flight of the Zinger é uma música que começa baixinha e calma, e vai te inserindo pouco à pouco num instante de tensão, onde estar alerta é essencial para se manter vivo.

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A sala de máquinas da Rare era extremamente eficiente, e inevitavelmente o terceiro jogo saiu sem atraso, também um ano após o segundo. Donkey Kong Country 3: Dixie Kong’s Double Trouble! traz Dixie e seu primo Kiddy, um enorme bebê orangotango. Donkey e Diddy tinham saído em viagem para comemorar a vitória do episódio anterior contra K. Rool, e foram surpreendidos por uma misteriosa figura denominada Kaos enquanto relaxavam. Sobrou então pros dois jovens heróis se meterem em dezenas de perigosas fases para resgatar os dois atrapalhados símios. Mais uma vez vemos um salto gráfico, mas não tão grande quanto do primeiro para o segundo jogo, e embora no terceiro episódio houvesse sim essa melhoria, o tema não valorizava tanto isso. Agora o ambiente tinha o clima mais industrial e tecnológico, o que contrastava bastante com a natureza dos dois primeiros jogos. A jogabilidade lembrava bastante a da dupla Kong e Diddy, mas com novas mecânicas e parcerias com novos animais. Na trilha sonora, evidente ponto forte da série, David Wise teve o reforço de Eveline Fischer, compositora britânica do time da Rare que já tinha participado em algumas faixas do primeiro Donkey Kong Country. O lançamento de Donkey Kong Country 3: Dixie Kong’s Double! se deu no fim da vida do Super Nintendo, e isso fez ele ser o menos valorizado da trilogia e com menos fãs. Mas justiça deve ser feita, ele é tão bom quanto os outros, e tem bastante conteúdo de jogo.



Os baixos marcantes em conjunto com uma melódica flauta de Treetop Tumble, se encaixam perfeitamente num batuque tribal, que curiosamente se somam à trítonos, resultando numa composição sinistra. Nuts and Bolts tem uma pegada industrial ritmada com marcantes licks e bends de guitarras sintetizadas, é uma das músicas mais marcantes de Donkey Kong Country 3. Big Boss Blues quase se soma à Nuts and Bolts nas suas características, mas desta vez a progressão é mais acelerada e menos ritmada.

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Após essa sequência épica no Super Nintendo, a franquia ainda deu luz a mais dois jogos no Nintendo 64, Diddy Kong Racing e Donkey Kong 64. O primeiro era um jogo de corrida que você podia pilotar karts, hovercracfts e aviões, com sistema de exploração ao estilo Super Mario 64, onde as conquistas nas corridas te possibilitavam abrir novas pistas. Já em Donkey Kong 64 o nosso macacão preferido entrava numa aventura de plataforma em três dimensões. Baseava-se na busca por coletáveis, e contava com a ajuda de mais quatro personagens jogáveis no decorrer da jornada. Os dois jogos receberam boas críticas da imprensa especializada e dos fãs da franquia, com Donkey Kong 64 recebendo um pouco mais de elogios do que Diddy Kong Racing.

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Em meio toda a popularidade dos anos 90 com a franquia, o estúdio canadense Nelvana Enterprises, Inc, em parceria com produtores franceses, trouxeram uma animação bastante peculiar. Donkey Kong chegava às TVs no formato de séries em computação gráfica, o que começava a se tornar moda na época. Imagino que a maioria das crianças, assim como eu, não se importavam muito com as animações de baixa qualidade e as expressões maravilhosas que a macacada fazia no decorrer dos quarenta episódios distribuídos em duas temporadas. Olhando hoje em dia é inegável afirmar que a coisa era tão bizarra que chegava a dar medo, e algumas caretas chegaram a virar memes, a galera não perdoou. No Brasil a série chegou a passar oficialmente no canal por assinatura Fox Kids Brazil, e no canal aberto Rede Record.

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Anos se passaram sem nenhum jogo de grande destaque da Família Kong, saíram sim algumas coisas, mas nada comparável ao Donkey Kong original do arcade ou os jogos da trilogia clássica. Mais tarde irei relacionar todos os lançamentos da franquia, suas respectivas plataformas e anos de lançamento, mas por ora continuarei a me apegar apenas aos jogos de maior relevância.

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Após os dois títulos do Nintendo 64, o que temos é um enorme buraco temporal. Donkey Kong 64 saiu em 1999, e foram necessários onze anos de espera até o lançamento de Donkey Kong Country: Returns para o Nintendo Wii. Essa foi a primeira vez que um jogo da serie não tinha as mãos da Rare, e ficou à cargo da novata Retro Studios, que tinha entregado os bem sucedidos jogos da série Metroid Prime para a Nintendo GameCube. O estimado novo lançamento trazia a mesma pegada clássica do primeiro Donkey Kong Country, a dupla Donkey e Diddy, e mais uma vez as malditas bananas haviam sido roubadas. Eu há muito tempo teria contratado um seguro pra essa dispensa, enfim. A Tribo Tik Tak hipnotizou alguns animais e os fizeram roubar as bananas de Donkey Kong, e ele se junta ao Diddy para correrem atrás do prejuízo. Dessa vez nada de Kremlins, o inimigo é outro. O novo visual era incrível porém diferente, as cores eram bastante coloridas e com um visual cartunesco. A mecânica conhecida como 2.5D, envolvia a movimentações por plataformas paralelas em profundidades diferentes, dando um grande dinamismo à jogabilidade. Eventos de pequeno e grande portes podiam saltar lá do fundo do cenário e intervir para qualquer direção, onde o resultado possibilitava um novo nível de exploração ainda não visto na série. A trilha sonora tristemente não vinha mais de David Wise, e a Nintendo sabendo que isso era um grande revés ao título, decidiu rearranjar e reaproveitar alguns hits clássicos da trilogia original. Já as composições novas não eram ruins, mas nem de longe tinham o mesmo carisma das composições dos músicos da Rare. Donkey Kong Country: Returns teve uma excelente recepção e fez bonito mesmo não sendo do mesmo estúdios que os jogos anteriores, tem como uma única observação de ponto fraco a sua dificuldade bastante elevada. A crítica especializada só tecia elogios para esse fantástico jogo que conseguia tirar água de Wii.

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A Nintendo curtiu ressuscitar a série principal dos Kongs, e encomendou uma continuação direta para o jogo do Wii. Dessa vez era Donkey Kong Country: Tropical Freeze, que decolava com força total do Nintendo Wii U, e novamente um trabalho primoroso da Retro Studios. Não é que esses caras pegaram a mão de fazer Donkey Kong? Se alguém que não jogou esse sucesso do Wii ouvisse que um estudiozinho com pouca coisa no currículo fez dois jogos seguidos da série Donkey Kong Country, e ainda honrando a trilogia original, ninguém acreditaria. Eu não acreditaria! Mas sim, era verdade. Nessa nova aventura a bicharada deve ter vindo da Noruega, já que pinguins, morsas, corujas, e outros animais, todos vikings, chegaram pra azucrinar a vida da macacada, que tem como tesouro pilhas e mais pilha de bananas. Diferente do que muita gente imaginava, Tropical Freeze não era uma versão HD de Donkey Kong Country: Returns. Só pra começar, os macacos voltaram a poder nadar graciosamente como pinguis, já que na edição do Wii, fases aquáticas haviam sido removidas completamente. O jogo não se passava apenas em ilhas tropicais, então tiveram a liberdade de criar uma variedade muito maior de ambientes, colocando o level design num nível elevadíssimo, onde as fases eram ricamente complexas e detalhadas. As batalhas contra chefes também receberam bastante atenção, e agora traziam complexas mecânicas. Donkey se aventura com Diddy, Dixie, Crunky, e na versão lançada para o Nintendo Switch desse mesmo jogo, temos até o descolado Funky Kong com sua prancha irada. Mais a maior surpresa, pelo menos pra mim, fica pelo retorno do Cara. David Wise volta pra casa já arregaçando as mangas e nos presenteia sem surpresa com composições fantásticas. Horn Top Hop por exemplo se encaixa magicamente ao gameplay da forma mais natural possível. Parece ter sido extraída do ambiente, e não inserida. A recepção mais uma vez foi excelente, e claro, o jogo tem seus pontos baixos, ou pelo menos polêmicos. A dificuldade era alta, as fases bônus não tinham tanta variedade como esperado, só tinha o Rambi como animal ajudando, e o jogo não era tão longo assim. Mas nada disso ofuscou o brilho de seus pontos altos, que entre os principais estão level design se aliando à mecânicas muito criativas, inimigos muitos divertidos, e claro, o retorno do lendário David Wise, que sabe como ninguém dar vida ao universo Kong.

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Embora não tenha condições de falar de forma minuciosa sobre todos,  listarei os jogos existentes da franquia Donkey Kong. Informando respectivamente seu título, plataforma inicial, nome do estúdio desenvolvedor, e ano de lançamento.

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Essa foi minha breve visão sobre o universo Donkey Kong, e talvez eu tenha transparecido que essa franquia é importante pra mim. Mas não, ela não é apenas importante, embora RPG seja meu gênero preferido, o meu jogo preferido de todos os tempos é o primeiro Donkey Kong Country de Super Nintendo. Hoje tendo trinta e cinco anos, noto que nasci numa janela de tempo onde pude tirar proveito de muita coisa legal se tratando de videogames. Meus pais não tiveram essa oportunidade de vivenciar essa experiência, e tão pouco meus filhos irão, pelo menos não da mesma forma e intensidade. A história é algo lindo para se contar, fascinante de se ouvir, mas vivenciar, isso é algo inexplicável. Então espero ter feito justiça à odisseia Donkey Kong, que não só pra mim, mas pra muito marmanjo também, é motivo de orgulho poder vivenciar.

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2 pensamentos

  1. Uatarrél!
    Isso pode virar filme! Kkk
    É bom relembrar dessas histórias, bons tempos.
    Já tem até um tema para o próximo assunto, nossa primeira impressão de Worms multiplayer no velho PC do seu saudoso Tio, que também nos deu emprego temporário no Rio Centro.

    São muitas histórias, valem a pena serem relembradas.

    Grande abraço!
    P.S.: Minha mãe tá te chamando pra vir aqui comer pão com mortadela. 😀

    Curtido por 1 pessoa

  2. Que máximo! Não esperava que a postagem seria tão detalhada, claro que já me chamou a atenção por ser DK que é um dos clássicos que, penso, todas as crianças dos anos 90 já jogou pelo menos uma vez. Parabéns! Show!

    Curtido por 1 pessoa

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