Atari 2600

É em 1984 que tudo começa, pelo menos pra mim foi assim. Não sei em que ano você nasceu, mas pelo menos no meu caso esse é o número. Quando você é criança a sua percepção de mundo se resume apenas em sou pequeno mas um dia irei crescer, então não sei precisar exatamente em que momento da minha infância se passa o começo dessa história nos videogames. Acredito que entre meus três ou quatro anos, mas isso não importa tanto, a graça maior fica com o como foi.

Lembro de um dia que meu falecido tio, irmão da minha mãe, que morava com a minha vó, e qual eu frequentemente visitava, ter pegado do alto daquele já antigo guarda-roupas de dezoito metros de altura, uma grande caixa mágica. Dentro tinha algo peculiar e que eu nunca havia visto parecido. Não lembro se foi movido do seu esconderijo para ser mostrado à mim, ou se havia sido pego para ser usado por aquele adulto que eu admirava tanto. Mas é certeza de aquilo ter sido pego apenas para minha pessoa, afinal, não vejo razão melhor pra tanto esforço. Após assistir aquela triunfal conquista de alcançar o inalcançável e misterioso pico daqueles dezenove metros, fomos com muita curiosidade e perplexidade para sala. O ambiente comum à mim estava lá, sofá, mesinha com o telefone azul claro de discar, uma TV Telefunken de vinte polegadas, imagino, e aquele jogo de sofás feitos de bambu envernizado. Tudo sobre um carpete verde escuro e áspero que se expandia por toda a casa, tirando a cozinha e o banheiro, óbvio.

Ele sentou-se no chão, abriu a caixa, foi tirando coisas pretas aos poucos, e desembolando fios. Eu assistia com atenção aquele ritual, vai que eu precisaria repetir algum dia e não pudesse contar com o auxílio do meu auxiliar. Coisas pretas espalhadas no chão, e ele escolhe um fio para levar para trás da TV, levando junto uma ferramenta de girar coisas. Alguns segundos e amarrou aquele fio. Dali partiu para um outro fio, qual levou até uma tomada. Sim, tomada eu tinha consciência do que era, era o lugar onde você não colocava chaves (de portas) para não tomar choques. Mas meu tio parecia ser responsável e eu imaginava que ele sabia disso também. Ele colocou aquele fio naquela tomada, sem tomar choque, claro, ele não levou junto uma chave, já em seguida foi para frente da TV. Ligou e escolheu o canal que não passava nada além de chiado. Veio em minha direção e se sentou ao meu lado, no carpete mesmo. Mexeu em um saco plástico, que até então eu não havia notado, e tirou vários quadrados pretos com adesivos coloridos. Peguei um e encarei aquele homem de óculos. A imagem daquele homem me assusta até hoje. Está carimbado no meu consciente e subconsciente. Não me assusta por medo, me assusta por ter sido minha descoberta do fogo, da roda, e do videogame, tudo ao mesmo tempo. Minha vida se divide no a.D. e d.D., antes daquilo, e depois daquilo.

Meu tio remexeu entre várias daquelas coisas e olhou pra mim, essa fita, deixa eu ver. Dei à ele aquela preciosa fita. Olhou com atenção pra ela, virou de um lado e pro outro, levou até próximo à boca, e assoprou. Encaixou a fita na parte preta maior e mexeu num botão, isso causou um pequeno estalo. Ele olhou pra TV e eu quis ver também. O que era aquilo? Pequenas coisinhas se moviam de um lado à outro com um som que invadiu a minha mente. Ele se acomodou melhor de pernas cruzadas, pegou uma caixa preta não muito grande com um cabinho, essa qual também tinha um botão vermelho. Era aquele homem! O homem da fita que via de forma aterradora aquelas pequenas coisas descendo freneticamente pela tela enquanto a navezinha sofria para impedir de ser comida!

Olhando de forma mais atenta eu pude ver que não era só isso. Quer dizer, que não era bem isso. Não era o homem da fita que pilotava a nave, era meu próprio tio! Era isso! Eu entendi tudo!

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